- UE apura deepfakes gerados por IA na plataforma X
- Lei de Serviços Digitais entra no foco da investigação
- Risco de imagens íntimas sem consentimento preocupa reguladores
A Comissão Europeia abriu um processo formal contra a X, rede social controlada por Elon Musk, após denúncias de que o sistema de inteligência artificial Grok teria sido usado para criar um grande volume de imagens deepfake sexualizadas envolvendo pessoas reais. O caso amplia a pressão regulatória sobre plataformas digitais que operam na União Europeia.
Segundo informações incluídas na queixa analisada pelos reguladores, a ferramenta teria produzido cerca de 3 milhões de imagens manipuladas em poucos dias. Parte do material levantou suspeitas de envolver menores, o que elevou a gravidade do caso e acelerou a resposta das autoridades europeias.
De acordo com a Comissão, usuários teriam conseguido gerar versões alteradas por IA a partir de fotos autênticas, enviando comandos diretamente ao sistema. O foco da apuração está em saber se a X adotou medidas adequadas para impedir a criação e a disseminação de conteúdos sintéticos íntimos sem autorização das pessoas retratadas.
A investigação ocorre dentro do escopo da Lei de Serviços Digitais da União Europeia, que impõe obrigações mais rígidas a grandes plataformas online. Entre os pontos avaliados estão a capacidade de identificar riscos sistêmicos, a eficácia dos mecanismos de moderação e a rotulagem clara de conteúdos gerados ou manipulados por inteligência artificial.
Até o momento, a Comissão não detalhou eventuais sanções ou exigências corretivas que podem resultar do processo. Representantes da X não apresentaram comentários públicos imediatos sobre a abertura formal da investigação.
O caso também se conecta a debates mais amplos em curso na Europa sobre a criminalização de deepfakes sexuais não consensuais. Autoridades da UE e governos nacionais discutem regras mais duras para proteger vítimas, além de padrões mais rígidos de consentimento quando imagens ou vozes de menores são utilizadas em sistemas de IA.
Especialistas regulatórios avaliam que a apuração pode se tornar um marco na aplicação das normas europeias sobre plataformas digitais e tecnologias emergentes. A combinação entre redes sociais de grande alcance e ferramentas avançadas de geração de imagens por IA é vista como um dos principais desafios atuais para autoridades de supervisão na região.













