- Futuros perpétuos de Bitcoin enfrentam disputa regulatória nos EUA
- CME contesta aprovação da CFTC para derivativos de BTC
- Mercado de criptomoedas acompanha batalha judicial da CME
A CME Group, uma das maiores operadoras de mercados de derivativos do mundo, anunciou que pretende processar a Commodity Futures Trading Commission (CFTC) após a aprovação dos contratos futuros perpétuos de Bitcoin nos Estados Unidos.
A informação foi confirmada pelo CEO da empresa, Terrence Duffy, que afirmou que a ação judicial seria protocolada após a decisão do órgão regulador de permitir a negociação desse tipo de produto no mercado americano.
Segundo Duffy, a argumentação da CME será baseada na interpretação da Lei Dodd-Frank. A empresa sustenta que os contratos futuros perpétuos devem ser classificados como swaps, e não como contratos futuros tradicionais.
Os contratos futuros perpétuos são instrumentos financeiros que permitem aos investidores especular sobre a cotação de um ativo sem precisar comprá-lo diretamente. Diferentemente dos futuros convencionais, esses produtos não possuem uma data de vencimento definida.
Para a CME, a classificação regulatória desses instrumentos é um ponto central da discussão. Duffy destacou que a companhia possui acordos exclusivos de licenciamento com fornecedores de índices de referência utilizados nesses mercados.
“Temos uma licença exclusiva com cada um dos fornecedores dos índices de referência. Portanto, todos eles teriam que passar pela CME, independentemente da licença perpétua”, disse Duffy.
A disputa ganhou força após a CFTC aprovar, em maio, a oferta de contratos futuros perpétuos de BTC pela Kalshi. A autorização marcou a primeira aprovação formal desse produto para o mercado dos Estados Unidos.
Enquanto isso, os futuros perpétuos já são amplamente utilizados em plataformas internacionais de criptomoedas, representando uma parcela significativa do volume negociado globalmente. A Kalshi também sinalizou interesse em ampliar a oferta para outras criptomoedas no futuro.
O debate ocorre em um momento de expansão dos derivativos ligados ao mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. Em 2025, a Coinbase se tornou a primeira corretora a disponibilizar esse tipo de contrato para investidores americanos por meio da plataforma Coinbase Financial Markets (CFM).
Duffy afirmou que a CME vem se preparando para uma possível disputa judicial há vários meses. De acordo com ele, o conselho administrativo da companhia acompanha o tema há cerca de oito meses e considera que possui fundamentos sólidos para levar o caso aos tribunais.
Do outro lado, o presidente da CFTC, Michael Selig, defendeu a decisão da agência reguladora. Segundo ele, a aprovação busca permitir que produtos regulamentados sem vencimento estejam disponíveis para investidores americanos, mantendo a supervisão e o monitoramento dentro da estrutura regulatória dos Estados Unidos.














