O segundo trimestre de 2025 foi marcado por uma forte recuperação no mercado global de criptomoedas, com valorização de 21,72% após uma retração de 18% no início do ano. O desempenho dos criptoativos superou até mesmo índices tradicionais como o S&P 500, impulsionado por uma combinação de fatores institucionais e regulatórios favoráveis — incluindo maior adoção de ETFs, aquisições de Bitcoin por empresas e avanços legislativos nos Estados Unidos.
No campo regulatório, os EUA revogaram diretrizes do IRS que restringiam investidores e deram sinal verde para o Projeto de Lei de Estrutura de Mercado. A flexibilização também beneficiou a adoção de stablecoins, acelerada por empresas de todos os portes e pelo IPO histórico da Circle.
Apesar do otimismo no mercado, o cenário midiático na Europa Oriental seguiu trajetória oposta. De acordo com relatório da Outset PR com base em dados da SimilarWeb, os veículos cripto-nativos da região registraram queda de 18,29% no tráfego durante o trimestre, com apenas 36,9% apresentando crescimento. A maioria dos acessos (80,71%) ficou concentrada em apenas 17 sites, como Comparic.pl, Bithub.pl e Forklog.com.
Tráfego concentrado e resistência regulatória
A Polônia e a Rússia lideraram em número de acessos, sendo responsáveis por mais de 82% do tráfego de mídia cripto-nativa da região. Já entre os veículos generalistas — que ainda dominam o volume total, com 894 milhões de visitas — 75% do tráfego também se concentrou nesses dois países. Plataformas como Monitorfx.pl, por exemplo, mostraram crescimento exponencial, indicando oportunidades emergentes mesmo fora do núcleo cripto.

A estrutura do tráfego revela dependência significativa de acessos diretos (45,20%) e busca orgânica (42,47%) entre os veículos cripto-nativos. O tráfego pago permaneceu praticamente inexistente, e os acessos vindos de plataformas de redes sociais e ferramentas de IA como ChatGPT e Perplexity começaram a ganhar relevância, ainda que modestamente.
IA e algoritmos remodelam o cenário
Ferramentas de IA generativa emergiram como nova via de descoberta de conteúdo. Cerca de 20,6% dos veículos cripto-nativos e 41,8% dos generalistas registraram tráfego originado dessas plataformas, ainda que em volumes baixos. Editores relataram mudanças no comportamento do público, com menos cliques vindos de buscas e mais visualizações passivas via resumos de IA — algo que levanta preocupações sobre a sustentabilidade da visibilidade editorial no médio prazo.
Além disso, a aplicação de regulamentações como a MiCA na União Europeia, e as pressões locais em países como Rússia, Hungria e Ucrânia, adicionaram camadas de complexidade. Editores citaram perda de visibilidade, autocensura e realocação de infraestrutura como estratégias para manter presença ativa diante de restrições.
Com um mercado em recuperação e um ambiente midiático em transformação, o segundo trimestre de 2025 deixou claro que o crescimento das criptomoedas não se reflete necessariamente em maior exposição da imprensa especializada — especialmente diante de um cenário regulatório incerto e de uma nova dinâmica de consumo de conteúdo impulsionada por inteligência artificial.














