- Bitcoin supera US$ 71 mil mesmo com pessimismo extremo
- RSI semanal indica sobrevenda histórica do BTC
- Derivativos mostram traders apostando na queda do Bitcoin
O Bitcoin voltou a chamar atenção do mercado após registrar um dos níveis de sobrevenda semanal mais altos de sua história recente, mesmo mantendo o preço acima da marca de US$ 71 mil. Dados analisados pela empresa de pesquisa K33 indicam que o índice de força relativa (RSI) semanal do BTC caiu para 26,84, a terceira menor leitura já registrada.
A marca ocorreu após meses de pressão vendedora contínua. O Bitcoin acumulou seis semanas consecutivas de queda e cinco meses seguidos de desvalorização, um dos períodos mais prolongados de perdas para a criptomoeda.
Apesar do sentimento negativo predominante, o chefe de pesquisa da K33, Vetle Lunde, chamou atenção para o comportamento coletivo do mercado. “Se você quer estar errado, siga a maioria”, escreveu o analista ao comentar o posicionamento defensivo observado entre investidores e traders de derivativos.
Grande parte da recente correção foi impulsionada por vendas de detentores de longo prazo e pela redução da exposição institucional. Durante o quarto trimestre de 2025, a oferta de contratos de Bitcoin com vencimentos superiores a seis meses diminuiu significativamente.
No mesmo período, investidores negociados em bolsa reduziram suas posições em quase 100.000 BTC. Além disso, o número de contratos em aberto de futuros na CME recuou para os níveis mais baixos em aproximadamente dois anos.
Os mercados de derivativos também refletem um sentimento bastante negativo. A taxa média de financiamento de 30 dias nos contratos futuros perpétuos de Bitcoin tornou-se negativa recentemente, um evento raro que ocorreu apenas dez vezes desde 2018.
Taxas de financiamento negativas indicam forte demanda por posições vendidas ou redução da exposição comprada. Isso faz com que contratos futuros sejam negociados com desconto em relação ao mercado à vista.
Nos mercados de opções, o comportamento é semelhante. Investidores têm pago prêmios elevados para se proteger contra possíveis quedas adicionais. Como destacou Lunde, “em outras palavras, [eles] têm estado dispostos a pagar um prêmio considerável por apostas de baixa”.
Mesmo com esse posicionamento defensivo, o Bitcoin demonstrou estabilidade durante a escalada das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Após ataques envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã — que elevaram os preços do petróleo e pressionaram mercados acionários — o BTC apresentou ganhos moderados.
Segundo o analista, essa resistência pode estar relacionada à redução significativa de riscos ao longo dos últimos meses. A exposição institucional na CME caiu cerca de 35%, enquanto investidores em ETFs reduziram aproximadamente 90.000 BTC de suas participações no mesmo período.
Ao mesmo tempo, sinais recentes indicam que a pressão vendedora de detentores de longo prazo pode estar diminuindo. A oferta de moedas com mais de seis meses de idade voltou a crescer gradualmente.
Atualmente, o Bitcoin é negociado próximo de US$ 71.895,67, registrando alta de quase 8% nas últimas 24 horas e mantendo-se acima da média móvel de 200 semanas, um nível que historicamente tem coincidido com zonas importantes de suporte.
“O pior já passou; agora é só esperar”, escreveu Lunde.
Para o analista, mesmo com o pessimismo presente nos mercados de derivativos, o atual perfil de risco e retorno favorece estratégias de acumulação em níveis semelhantes aos atuais.












