- Binance enfrenta pressão regulatória após transações sinalizadas
- Contas suspeitas movimentam bilhões em criptomoedas
- USDT ligado a endereços congelados amplia escrutínio
A Binance voltou ao centro das atenções após a identificação de US$ 1,7 bilhão em fluxos sinalizados como suspeitos, mesmo depois de um acordo judicial de US$ 4,3 bilhões firmado com autoridades dos Estados Unidos em 2023. A análise de dados internos aponta que parte relevante dessas movimentações ocorreu após o entendimento com reguladores, ampliando questionamentos sobre a efetividade dos controles de conformidade da maior exchange de criptomoedas do mundo.
Os registros indicam que 13 contas com alertas internos concentraram esse volume ao longo de vários anos, incluindo cerca de US$ 144 milhões movimentados depois do acordo. Entre os casos destacados está uma conta registrada em nome de um morador de uma favela venezuelana, que teria movimentado aproximadamente US$ 93 milhões ao longo de quatro anos. Parte desses recursos teria origem em redes posteriormente acusadas de direcionar fundos ao Irã e ao Hezbollah.
Outro exemplo citado envolve uma conta vinculada a uma mulher venezuelana de 25 anos, que recebeu mais de US$ 177 milhões em criptos em um período de dois anos. Segundo os dados analisados, essa conta alterou informações bancárias 647 vezes em 14 meses, utilizando cerca de 496 contas diferentes em vários países, um padrão considerado atípico por especialistas em compliance.
O conjunto de transações levantou alertas adicionais por incluir recebimentos de USDT oriundos de carteiras que mais tarde foram congeladas por Israel com base em leis antiterrorismo. Parte desses endereços foi associada a Tawfiq Al-Law, cidadão sírio acusado de movimentar recursos para o Hezbollah e para os Houthis, grupo apoiado pelo Irã. As contas ligadas a ele foram confiscadas em 2023, e sanções foram impostas pelo Tesouro dos EUA em 2024.
Stefan Cassella, ex-procurador federal norte-americano, avaliou que o padrão observado indicava que a operação “se assemelhava à de uma empresa de transferência de dinheiro sem licença”. A investigação também apontou logins considerados fisicamente improváveis, sugerindo possível comprometimento ou uso coordenado de contas.
Em resposta, a Binance afirmou manter controles rigorosos e uma política de “tolerância zero” para atividades ilícitas, destacando sistemas internos voltados à identificação e investigação de transações suspeitas. A empresa sustenta que segue as regras estabelecidas e coopera com autoridades quando necessário.
O episódio ocorre em meio ao aumento do escrutínio sobre a governança da Binance após o indulto presidencial concedido em outubro ao fundador Changpeng Zhao pelo atual presidente dos EUA, Donald Trump, relacionado a violações de leis de lavagem de dinheiro. Parte das atividades analisadas teria ocorrido já sob a supervisão de monitores independentes nomeados em 2024, reforçando o debate sobre a complexidade da fiscalização em grandes plataformas globais de criptomoedas.














