- Binance firma acordo com BBVA para custódia de criptomoedas
- Clientes poderão manter ativos fora da corretora
- BBVA amplia presença no mercado de criptos
A Binance estabeleceu uma colaboração estratégica com o banco espanhol e latino-americano BBVA para permitir que clientes mantenham seus ativos fora da corretora. Segundo fontes próximas ao acordo, o BBVA atuará como custodiante independente, guardando fundos dos traders em títulos do Tesouro dos EUA, que a Binance aceitará como margem para negociações.
A medida busca reforçar a segurança e atender à demanda crescente por soluções que reduzam riscos após episódios como a falência da FTX em 2022, que resultou em bilhões de dólares bloqueados em processos judiciais. Além disso, o acordo chega em um momento de maior cautela no setor, após a Binance receber, em 2023, uma multa de US$ 4 bilhões de autoridades americanas por supostas violações de sanções, lavagem de dinheiro e fraude.
De acordo com uma das fontes, essa estrutura “mitiga um hipotético FTX 2.0”, criando uma separação entre negociação e custódia — prática comum no sistema financeiro tradicional, mas ainda pouco difundida no mercado de criptomoedas. O BBVA, por sua vez, tem “maior reconhecimento de nome” do que outros parceiros da Binance, o que pode facilitar processos de due diligence de novos clientes.
O movimento também reflete a disposição de instituições financeiras tradicionais em se aproximar do setor de criptomoedas, impulsionadas pelo apoio do governo Trump nos Estados Unidos e pela implementação das regulamentações MiCA na União Europeia.
A Binance já havia iniciado, em janeiro de 2024, a possibilidade de clientes institucionais manterem ativos em custodiantes independentes como Sygnum e FlowBank. Antes disso, os fundos precisavam permanecer na própria corretora ou em sua parceira de custódia, Ceffu, descrita pela SEC como uma “entidade Binance renomeada”.
O BBVA vem expandindo seus serviços relacionados a criptomoedas, tendo lançado, em julho, soluções de negociação e custódia para bitcoin e ether. O banco também orientou clientes de alta renda a alocar de 3% a 7% de suas carteiras nesse tipo de ativo.
A busca por modelos de custódia fora da bolsa tem crescido no setor. Plataformas como Deribit, OKX e Bitget também implementaram soluções semelhantes, permitindo que investidores negociem derivativos e criptos sem que os ativos precisem permanecer diretamente nas corretoras.














