- Adam Back alerta para censura no Bitcoin com BIP-110
- BIP-110 tenta limitar spam de Ordinals no blockchain
- Soft fork proposto pode dividir a rede Bitcoin
Um novo debate ganhou força dentro da comunidade Bitcoin após a proposta conhecida como BIP-110 se tornar um dos assuntos mais discutidos entre desenvolvedores e participantes do ecossistema.
A proposta de melhoria do Bitcoin foi apresentada em dezembro de 2025 por um desenvolvedor que utiliza o pseudônimo Dathon Ohm. O objetivo é limitar a inclusão de dados arbitrários no blockchain do BTC.
Nos últimos anos, protocolos como Ordinals e Runas passaram a permitir que usuários registrem imagens, vídeos e outros conteúdos diretamente na rede Bitcoin. Embora alguns considerem essa prática uma evolução do uso da blockchain, críticos afirmam que ela aumenta o volume de dados e contribui para o congestionamento da rede.
Para enfrentar esse problema, o BIP-110 propõe um mecanismo considerado controverso. A ideia é implementar um soft fork temporário com duração de 12 meses que filtraria determinados tipos de dados no nível de consenso da rede.
Na prática, isso impediria que certos conteúdos fossem incluídos nos blocos do Bitcoin. A proposta tem como objetivo reduzir o volume de transações consideradas spam.
No entanto, a iniciativa encontrou forte resistência entre figuras históricas do ecossistema. O CEO da Blockstream, Adam Back, citado por Satoshi Nakamoto no white paper do Bitcoin, está entre os críticos mais vocais da proposta.
well a problem is 110 is an intentional literal downgrade. it breaks userspace. the bip freezes utxos, breaks miniscript, disables OP_IF and disables upgrade hooks. also temporary softfork is nuts.
— Adam Back (@adam3us) March 15, 2026
Outros nomes influentes da indústria, como Jameson Lopp e Wang Chun, também demonstraram oposição ao BIP-110.
Entre as principais preocupações está a neutralidade da rede. Adam Back argumenta que bloquear determinados tipos de transações no nível de consenso pode abrir precedentes perigosos para o futuro do Bitcoin.
Outro ponto levantado envolve possíveis impactos sobre fundos já existentes na rede. Alguns analistas alertam que certos UTXOs poderiam se tornar inutilizáveis caso a proposta fosse implementada, o que na prática significaria o congelamento de valores de usuários.
A forma de ativação do soft fork também gerou críticas. O BIP-110 sugere um limite de aprovação de 55%, bem abaixo do padrão de cerca de 95% tradicionalmente utilizado em atualizações relevantes do Bitcoin.
Esse detalhe aumenta o receio de que a mudança possa provocar uma divisão da blockchain em diferentes versões.
O debate ficou ainda mais intenso quando um usuário conhecido da comunidade, identificado pelo pseudônimo Hodlnaut, acusou Adam Back de arrogância e de ignorar discussões relacionadas à governança do protocolo.
À medida que a discussão avança, muitos desenvolvedores passaram a enxergar o BIP-110 como um momento decisivo para o futuro do Bitcoin e para a forma como mudanças no protocolo podem ser conduzidas dentro da rede.













