- Ethereum pode escalar milhares de vezes com PeerDAS e ZKPs
- Redução de latência enfrenta limites físicos e econômicos
- Aplicações de IA continuarão exigindo soluções fora da cadeia
Vitalik Buterin, cofundador do Ethereum, compartilhou novos insights sobre os avanços técnicos que podem impulsionar significativamente a escalabilidade da rede. Em sua visão, soluções como PeerDAS (Peer Data Availability Sampling) e provas de conhecimento zero (ZKPs) têm o potencial de multiplicar a capacidade da blockchain por milhares de vezes em comparação com o cenário atual.
O desenvolvedor apresentou dados que comparam métricas de desempenho antes e depois da implementação do sharding, reforçando que a arquitetura modular do Ethereum está alcançando resultados mais promissores do que os anteriormente estimados. Para ele, não há conflito técnico entre escalabilidade extrema e descentralização — ambos os objetivos são compatíveis dentro do modelo atual da rede.
Buterin, no entanto, apontou que a redução da latência enfrenta barreiras naturais, como a própria velocidade da luz, além da necessidade de suportar nós em regiões rurais e em ambientes fora de grandes data centers. Outro desafio mencionado é garantir resistência à censura e preservar o anonimato dos nós, o que torna a diminuição de latência um objetivo mais delicado.
Increasing bandwidth is safer than reducing latency
With PeerDAS and ZKPs, we know how to scale, and potentially we can scale thousands of times compared to the status quo. The numbers become far more favorable than before (eg. see analysis here, pre and post-sharding…
— vitalik.eth (@VitalikButerin) January 8, 2026
Segundo ele, a latência ideal não pode sacrificar a descentralização: “O próprio Ethereum precisa passar no teste de autonomia, e por isso não podemos construir uma blockchain que dependa de constantes ajustes sociais para garantir a descentralização. A economia não pode suportar toda a carga, mas deve suportar a maior parte.”
Buterin também apontou melhorias no sistema P2P, como o uso de codificação de apagamento, como caminho viável para reduzir o tempo de propagação de mensagens sem exigir maior largura de banda dos nós. Ele propôs ainda a redução no número de nós por slot — de 30.000 para 512 — como forma de eliminar a etapa de agregação e permitir reduções de latência dentro de uma única sub-rede.
Com essas mudanças, o cofundador projeta uma valorização potencial do Ethereum entre 3x e 6x, apenas considerando as melhorias estruturais. Já a latência moderada poderia cair de 2 a 4 vezes com essas otimizações.
Em uma analogia provocadora, Buterin chamou o Ethereum de “batimento cardíaco do mundo”. Para ele, quem quiser construir aplicações mais rápidas que esse pulso precisará recorrer a componentes off-chain. Ele vê as soluções de segunda camada (L2s) como permanentes no ecossistema, especialmente diante da crescente demanda de aplicações baseadas em inteligência artificial.
Mesmo em um cenário de Ethereum altamente escalável, afirmou, a IA continuará a exigir latências menores do que a rede principal pode oferecer. Por isso, redes L2 permanecerão como elemento essencial — tanto para atender a demandas hiperlocalizadas quanto para alcançar escalabilidade global.
Buterin também brincou com a ideia de operar um nó de staking em Marte, chamando-a de inviável até mesmo para o Bitcoin. “O Ethereum pertence à Terra”, afirmou, reforçando que seu foco é atender à realidade física e econômica do planeta, com soluções escaláveis e práticas.












