- Hipoteca com Bitcoin chega ao mercado imobiliário dos EUA
- Compradores usam Bitcoin como garantia para entrada
- Coinbase amplia uso de criptomoedas no setor imobiliário
A Coinbase e a Better Home & Finance concluíram o financiamento da primeira hipoteca apoiada por Bitcoin dentro das regras da Fannie Mae, marcando um novo passo na integração entre o mercado imobiliário e as criptomoedas nos Estados Unidos. Após os testes iniciais, as empresas planejam disponibilizar o produto para mutuários qualificados em todo o país durante o verão americano.
A iniciativa foi apresentada ao mercado em março e permite que compradores utilizem suas reservas em criptomoedas para viabilizar a entrada de um imóvel sem a necessidade de vender seus ativos digitais. Neste primeiro momento, a modalidade aceita Bitcoin e USDC, com a expectativa de incluir outras criptomoedas futuramente.
O primeiro financiamento foi concedido a Joe e Amy, um casal de Ann Arbor, no estado de Michigan. Segundo as empresas, ambos acumulavam patrimônio em ativos digitais, mas não possuíam recursos suficientes em dinheiro para atender às exigências de uma entrada tradicional.
Em vez de liquidar suas posições em Bitcoin, pagar impostos sobre ganhos de capital e abrir mão da exposição ao ativo, o casal utilizou suas moedas digitais como garantia para obter os recursos necessários à compra da primeira casa.
“Na Coinbase, acreditamos que o bitcoin deve fazer mais do que ficar guardado em uma carteira. Ele deve trabalhar para as pessoas que o possuem”, disse Mark Troianovski, chefe de parcerias com consumidores e plataformas da Coinbase. “Financiar a primeira hipoteca convencional lastreada em tokens é uma das demonstrações mais tangíveis dessa visão que já vimos.”
Neste artigo, vamos discutir:
Como funciona a hipoteca com Bitcoin
A estrutura combina dois financiamentos realizados simultaneamente. O primeiro segue o modelo tradicional das hipotecas compatíveis com os padrões da Fannie Mae. O segundo é um empréstimo separado, garantido por criptomoedas, destinado a cobrir o valor da entrada.
Em um exemplo apresentado pelas empresas, um imóvel de US$ 500 mil poderia ser adquirido com uma hipoteca convencional de US$ 400 mil e um empréstimo adicional de US$ 100 mil para a entrada. Para obter esse segundo financiamento, o comprador precisaria oferecer aproximadamente US$ 250 mil em Bitcoin como garantia.
Os dois contratos são estruturados de forma integrada, permitindo ao cliente realizar apenas um pagamento mensal. Além disso, ambos compartilham a mesma taxa de juros e cronograma de amortização.
Lista de espera já soma US$ 250 milhões
O interesse pelo produto começou antes mesmo do lançamento nacional. Segundo as empresas, a lista de espera representa cerca de US$ 250 milhões em potencial volume de empréstimos.
Mais da metade dos interessados pretende comprar um imóvel nos próximos seis meses. Entre os estados com maior procura estão Califórnia, Nova York e Flórida.
A Better também revelou que cerca de 41% de seus clientes pré-aprovados atendem aos requisitos de renda e crédito, mas não possuem dinheiro suficiente para uma entrada convencional. Para esse grupo, a hipoteca garantida por Bitcoin surge como uma alternativa para acessar o mercado imobiliário sem vender suas criptomoedas.












