- Curadoria supera incentivos em creator coins na Web3
- Tokenização prioriza preço, não qualidade do conteúdo
- DAOs pequenas melhoram descoberta de criadores
Vitalik Buterin voltou a criticar o modelo das Creator Coins ao afirmar que os incentivos financeiros não resolvem o principal desafio da economia de criadores: a descoberta de qualidade. Para ele, o problema central está na ausência de curadoria, não na falta de mecanismos de monetização on-chain.
Segundo o fundador do Ethereum, atrelar recompensas financeiras diretamente à produção de conteúdo tende a amplificar ruído em vez de sinal. O resultado é uma corrida por volume, ciclos de produção mais curtos e otimização de métricas de engajamento, enquanto a qualidade perde espaço. A tokenização, nesse contexto, acelera o processo ao adicionar especulação à atenção do público.
Buterin observa que muitas moedas voltadas a criadores deixam rapidamente de ser instrumentos de apoio ao conteúdo e passam a funcionar como ativos de negociação de curto prazo. A movimentação de preços se torna o foco principal, enquanto relevância, consistência e profundidade criativa ficam em segundo plano. Nesse cenário, as Creator Coins não facilitam a descoberta e, em vários casos, acabam dificultando.
How I would do creator coins
We've seen about 10 years of people trying to do content incentivization in crypto, from early-stage platforms like Bihu and Steemit, to BitClout in 2021, to Zora, to tipping features inside of decentralized social, and more. So far, I think we have…
— vitalik.eth (@VitalikButerin) February 1, 2026
Como contraste, Buterin citou o modelo do Substack. A plataforma não se baseia em tokens nem em incentivos on-chain para promover criadores. Seu crescimento está ancorado em curadoria, julgamento editorial e reputação construída ao longo do tempo. A descoberta ocorre por meio de recomendações e redes, não por sinais de preço.
Na visão do desenvolvedor, a diferença está na ordem dos fatores. No Substack, a qualidade vem antes da monetização. Já em muitas iniciativas da Web3, tenta-se monetizar primeiro e esperar que a qualidade apareça depois, uma inversão que compromete o resultado final.
Em vez de grandes mercados abertos de tokens, Buterin sugeriu estruturas menores e mais controladas. Ele mencionou DAOs pequenas, não tokenizadas ou apenas levemente tokenizadas, focadas em selecionar e apoiar criadores específicos. Esses grupos atuariam como curadores, utilizando reputação e julgamento humano, e não apenas incentivos financeiros.
Nesse modelo, a escala é limitada de forma intencional. O objetivo não é participação irrestrita, mas uma maior densidade de sinais confiáveis. Embora essa abordagem contrarie alguns ideais comuns da Web3, ela se aproxima mais de como a qualidade costuma emergir na prática.
Buterin também não descartou completamente as moedas de criadores. Ele sugeriu que esses tokens poderiam funcionar como ferramentas de previsão, refletindo expectativas sobre relevância e impacto futuro, e não como ativos puramente especulativos. Ainda assim, ressaltou que esse uso só faz sentido quando inserido em um ambiente sólido de curadoria social.
A crítica se encaixa em uma visão mais ampla sobre o design social da Web3. Para Buterin, mercados são instrumentos poderosos para precificar ativos, mas têm limitações quando o objetivo é classificar ideias, pessoas ou credibilidade. Na criação de conteúdo, filtros e curadoria continuam sendo elementos centrais.












