- Irã movimenta US$ 7,7 bilhões em criptomoedas
- Guarda Revolucionária domina 50% do mercado cripto iraniano
- Bitcoin vira refúgio contra inflação e censura no Irã
A criptoeconomia do Irã movimentou mais de US$ 7,78 bilhões em 2025, segundo um novo relatório da Chainalysis divulgado em 15 de janeiro. A pesquisa mostra que a atividade on-chain se intensificou durante momentos de instabilidade política e conflitos geopolíticos. O crescimento do uso de criptomoedas no país ocorre tanto entre cidadãos comuns quanto em operações vinculadas ao governo.
O destaque mais preocupante da análise é o papel da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), que atualmente controla cerca de 50% da movimentação cripto do país. Endereços vinculados ao grupo receberam mais de US$ 3 bilhões em criptomoedas apenas em 2025, quase o dobro do volume registrado no ano anterior.

Esses fundos são utilizados em uma rede global para atividades como lavagem de dinheiro, compra de armas, evasão de sanções internacionais e financiamento de operações militares, consolidando a criptomoeda como parte do sistema financeiro paralelo do Irã.
Enquanto isso, o Bitcoin tem se tornado uma alternativa viável para os iranianos lidarem com o colapso econômico. Durante os protestos e apagões da internet no final de 2025, houve um salto expressivo no número de transferências de BTC para carteiras autocustodiadas. Os dados apontam para um comportamento crescente de autossuficiência financeira por parte da população.
Com a inflação no Irã oscilando entre 40% e 50% ao ano e o rial tendo perdido quase 90% de seu valor desde 2018, muitos cidadãos passaram a enxergar o Bitcoin como uma reserva de valor resistente à interferência estatal. A capacidade de armazenar valor sem risco de confisco ou desvalorização imposta pelo governo tem impulsionado o crescimento da adoção do BTC entre usuários comuns.
A pesquisa ainda destaca que a movimentação de fundos por meio de criptomoedas cresceu de forma proporcional à repressão estatal e ao enfraquecimento da economia formal. O uso das criptos, especialmente o Bitcoin, passa a ocupar um papel estratégico na manutenção da soberania individual e das operações clandestinas governamentais, revelando a dualidade da criptoeconomia no país.














