- Trump evita demissão de Powell e pressiona Federal Reserve
- Inflação elevada limita cortes de juros nos EUA
- Tarifas reforçam divergências internas no Federal Reserve
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, decidiu recuar, ao menos por enquanto, da ideia de demitir o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, em meio a um cenário de inflação persistente e investigação criminal envolvendo a instituição. A decisão ocorre enquanto aumentam as tensões políticas sobre a condução da política monetária em um ambiente econômico ainda sensível.
Em declaração recente, Powell afirmou que o ponto central do debate é saber se o Federal Reserve continuará definindo os juros com base em dados e nas condições econômicas, ou se passará a agir sob pressão política. A fala reforça a preocupação com a independência do banco central em um momento em que a Casa Branca amplia o tom crítico contra a autoridade monetária.
Trump, por sua vez, minimizou críticas de parlamentares republicanos que veem a investigação como uma tentativa de influenciar decisões sobre tarifas comerciais. O presidente deixou claro que não considera esse fator relevante e voltou a cobrar alinhamento político. Mesmo assim, indicou que pretende anunciar o sucessor de Powell “nas próximas semanas”, apesar da resistência do senador Thom Tillis, que ameaça travar indicações ao Fed enquanto o caso não for concluído.
Entre os nomes elogiados por Trump estão Kevin Hassett, conselheiro econômico da Casa Branca, e Kevin Warsh, ex-diretor do Fed. Ambos foram descritos como opções fortes para liderar o banco central em um próximo mandato.
No campo econômico, os dados recentes de inflação reduziram o espaço para cortes de juros no curto prazo. Os preços no atacado registraram altas anuais relevantes, enquanto a inflação ao consumidor segue acima da meta de 2%. Projeções de analistas indicam que o principal indicador inflacionário acompanhado pelo Fed pode alcançar 3%, reforçando a cautela da autoridade monetária.
O relatório mais recente do Livro Bege mostrou que tarifas já começam a pressionar custos em diversos setores. Algumas empresas passaram a repassar aumentos aos consumidores, embora o movimento ainda seja gradual. Ao mesmo tempo, a atividade econômica apresentou leve melhora em boa parte dos distritos regionais do Fed.
Dentro do banco central, as opiniões seguem divididas. Anna Paulson avalia que a inflação pode perder força ao longo do ano, permitindo ajustes modestos nos juros. Já Stephen Miran projeta cortes mais profundos em 2026, enquanto Neel Kashkari adota postura cautelosa, alertando para riscos inflacionários caso os juros caiam rápido demais.
A expectativa predominante é que o Federal Reserve mantenha as taxas na faixa atual de 3,5% a 3,75% na reunião de 29 e 30 de janeiro, enquanto observa com atenção tanto os dados econômicos quanto os sinais vindos da Casa Branca.












