- Trump pressiona China sobre Estreito de Ormuz
- Cúpula EUA-China pode ser adiada em Pequim
- Ormuz eleva tensão global e atenção dos mercados
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, indicou que a viagem planejada a Pequim no fim de março pode não acontecer na data prevista, enquanto Washington tenta ampliar a pressão sobre a China para colaborar com a reabertura do Estreito de Ormuz.
A possível mudança no calendário adiciona um novo ponto de atrito à relação entre as duas maiores economias do mundo. O tema ganhou peso justamente no momento em que os mercados acompanham o impacto da guerra no Oriente Médio sobre o petróleo, as bolsas e ativos de risco, incluindo criptomoedas.
Em entrevista ao Financial Times no domingo, Trump afirmou que espera uma definição antes do encontro com Xi Jinping, inicialmente previsto para ocorrer entre 31 de março e 2 de abril. Segundo ele, o intervalo até a reunião ainda deixa espaço para mudanças. “Podemos adiar”, disse Trump ao Financial Times, sem dar detalhes sobre o prazo.
As declarações surgiram em paralelo a uma reunião em Paris entre o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, e o vice-primeiro-ministro chinês, He Lifeng, que discutiram os preparativos para a cúpula. Até agora, Pequim não confirmou oficialmente as datas.
A visita teria peso simbólico por ser a primeira de um presidente dos EUA à China desde a passagem de Trump pelo país em 2017, durante seu primeiro mandato. Ela também aconteceria poucos meses depois do encontro entre Trump e Xi em Busan, na Coreia do Sul, quando ambos concordaram com uma trégua de um ano na disputa comercial.
No Air Force One, Trump afirmou que a China recebe cerca de 90% do seu petróleo pelo estreito e sugeriu que Pequim teria interesse direto em ajudar a normalizar o fluxo. O corredor marítimo segue no centro das atenções porque responde por aproximadamente um quinto da oferta diária global de petróleo.
Ainda assim, dados recentes indicam que a China pode estar menos exposta do que a fala do presidente sugere. Nos últimos anos, o país ampliou a diversificação energética e reforçou estoques estratégicos, reduzindo a dependência de uma única rota.
Estimativas citadas por analistas apontam que o petróleo que passa por Ormuz representa parcela limitada do consumo total de energia chinês. Ao mesmo tempo, imagens de satélite indicam que o Irã continuou enviando grandes volumes de petróleo bruto para a China desde o início do conflito no fim do mês passado.
Enquanto a agenda da cúpula segue indefinida, Washington e Pequim também mantêm o confronto comercial em aberto. Em comunicado, o Ministério do Comércio da China afirmou que o governo Trump “mais uma vez abusou do processo de investigação da Seção 301 para sobrepor-se à legislação nacional e às normas internacionais”, classificando as medidas como “extremamente unilaterais, arbitrárias e discriminatórias”.
Pequim ainda declarou que apresentou objeções formais aos EUA. “Instamos os EUA a corrigirem imediatamente suas práticas equivocadas e a encontrarem um meio-termo com a China”, disse um porta-voz do ministério.












