- Tokenização acelera modernização dos mercados financeiros
- Ativos digitais ampliam eficiência e transparência global
- Crescimento de 300% reforça adoção da tecnologia
O CEO da BlackRock, Larry Fink, e o COO, Rob Goldstein, defenderam que a tokenização entrou em uma fase comparável aos primeiros anos da internet, com potencial para transformar o setor financeiro em um ritmo mais rápido do que muitos participantes do mercado imaginam. Para eles, o registro de propriedade em livros-razão digitais pode representar uma virada estrutural para eficiência e acesso no sistema financeiro.
Em artigo publicado no The Economist e no site da gestora, os executivos afirmaram que o uso de registros distribuídos oferece ganhos claros em transparência e padronização. “Os livros-razão não eram tão interessantes desde a invenção da contabilidade de partidas dobradas”, escreveram Fink e Goldstein ao explicar que a tecnologia resolve gargalos históricos de liquidação e rastreabilidade.
Eles lembraram que, na década de 1970, negociações dependiam de telefonemas e certificados físicos, enquanto o padrão SWIFT trouxe velocidade inédita às transações internacionais a partir de 1977. A chegada do blockchain, inaugurada por Satoshi Nakamoto com o Bitcoin em 2009, adicionou a possibilidade de um livro-razão compartilhado sem intermediários, criando o terreno para a tokenização de diferentes tipos de ativos.
“No início, foi difícil para o mundo financeiro — inclusive para nós — enxergar a grande ideia”, afirmaram.
“A tokenização estava atrelada ao boom das criptomoedas, que muitas vezes parecia especulação. Mas, nos últimos anos, as finanças tradicionais perceberam o que estava escondido por trás da euforia: a tokenização pode expandir enormemente o mundo dos ativos investíveis.”
A BlackRock já avançou nesse caminho com o BUIDL, seu fundo de mercado monetário tokenizado, que opera em blockchain pública e ultrapassa US$ 2 bilhões em valor total bloqueado. A gestora também consolidou presença em produtos digitais, como os ETFs spot de Bitcoin e Ethereum, que registram entradas somadas de mais de US$ 75 bilhões.
Fink e Goldstein destacaram benefícios como liquidação instantânea e substituição de processos em papel por código, reduzindo riscos de contraparte e custos operacionais. Eles afirmaram que os tokens de ativos do mundo real cresceram cerca de 300% em 20 meses, com adoção acelerada em economias emergentes.
Segundo os executivos, a tokenização funciona como uma ponte entre instituições tradicionais e emissores digitais, permitindo que investidores mantenham ações, títulos e ativos digitais em uma única carteira. Eles pedem que reguladores atualizem regras existentes, reforçando que “um título continua a ser um título, mesmo que esteja registrado em uma blockchain”, destacando a necessidade de proteções claras e verificação de identidade digital para apoiar o avanço seguro dessa transformação.














