- Banco Nacional Suíço rejeita Bitcoin como reserva oficial
- Proposta visa incluir Bitcoin na Constituição da Suíça
- Empresas suíças continuam impulsionando a adoção de criptomoedas
O Bitcoin não deve integrar as reservas oficiais da Suíça em breve, segundo Martin Schlegel, presidente do Banco Nacional Suíço (SNB). Durante uma assembleia de acionistas realizada em Berna, Schlegel destacou que “as criptomoedas não atendem atualmente aos requisitos de reservas cambiais”, afastando, por ora, a possibilidade de adoção do ativo no portfólio oficial.
Apesar da resistência do SNB, diversas empresas suíças ligadas ao setor de criptomoedas continuam a pressionar por reconhecimento institucional.
A proposta de adicionar o Bitcoin como reserva cambial surgiu com o apoio do projeto sem fins lucrativos 2B4CH. A iniciativa visa alterar o terceiro parágrafo do artigo 99 da Constituição Suíça, que hoje estabelece a manutenção de reservas em ouro. O objetivo é incluir a expressão “e em Bitcoin”, desde que os organizadores consigam reunir 100.000 assinaturas para viabilizar o referendo.
O movimento conta com apoiadores de peso, como Jeev Zangana, vice-presidente da Tether. Yves Bennaïm, fundador do 2B4CH, defendeu a proposta afirmando: “Não estamos dizendo — vá all-in com bitcoin, mas se você tem quase 1 trilhão de francos em reservas, como o SNB, então faz sentido ter 1–2% disso em um ativo que está aumentando em valor, se tornando mais seguro e que todos querem possuir”.
Lusius Meisser, membro do conselho do Bitcoin Suisse, reforçou a relevância de diversificar reservas. Para ele, a posse de Bitcoin é estratégica em um contexto de enfraquecimento do dólar e do euro, além de reduzir a exposição do banco central a riscos políticos de moedas fiduciárias. Meisser destacou: “O Bitcoin é uma moeda que não pode ser diluída devido à sua natureza de escassez”.
A Suíça segue como uma referência para o mercado de criptomoedas. Zug, conhecida como “Crypto Valley”, foi o local de origem do Ethereum e, mais recentemente, a rede Spar passou a aceitar Bitcoin como forma de pagamento em uma cidade do país, evidenciando a contínua adoção local dos ativos digitais.
Enquanto a Suíça debate a inclusão do Bitcoin em suas reservas, outros países já avançam nessa direção. El Salvador foi pioneiro ao adotar o Bitcoin como moeda de curso legal em 2021 e acumular mais de 6.000 BTC em suas reservas. O Butão, por meio de operações de mineração com energia hidrelétrica, detém cerca de 13.000 BTC, representando 28% do PIB do país. Nos Estados Unidos, o governo possui mais de 200.000 BTC, adquiridos principalmente por meio de apreensões judiciais, e está avaliando a criação de uma reserva estratégica de criptomoedas. Além disso, países como Brasil, Japão, Rússia, Polônia e República Tcheca estão considerando projetos de lei para incorporar o Bitcoin às suas reservas nacionais.













