- Stablecoins alcançam US$ 312 bilhões em valor de mercado
- Volume anual de stablecoins chega perto da rede Visa
- Bancos globais adotam pagamentos em blockchain com USDC
O mercado de stablecoins registrou um crescimento expressivo no último ano, alcançando cerca de US$ 312 bilhões em capitalização até 10 de março. O avanço representa uma alta próxima de 50% em relação ao ano anterior e ocorre ao mesmo tempo em que grandes instituições financeiras começam a integrar essa infraestrutura baseada em blockchain.
Outro indicador que chama atenção é o volume de transações. Em 2025, o volume anual ajustado de transferências com stablecoins chegou a US$ 11 trilhões, aproximando-se do nível processado por redes tradicionais de pagamento. Para efeito de comparação, a Visa movimenta cerca de US$ 12 trilhões por ano em sua rede global.
Esse crescimento reflete uma mudança estrutural na forma como valores denominados em dólar circulam na economia digital. Infraestruturas baseadas em blockchain passaram a oferecer liquidações mais rápidas, custos menores e maior transparência, o que tem incentivado empresas e instituições a adotarem essas soluções.
A lista de participantes institucionais que utilizam stablecoins também se expandiu. Visa e Mastercard já integraram o USDC para liquidação on-chain, permitindo que obrigações relacionadas a cartões sejam processadas diretamente em blockchain, sem depender exclusivamente de bancos correspondentes.
Grandes bancos também passaram a testar soluções semelhantes. JPMorgan, Citi e HSBC estão conduzindo projetos envolvendo depósitos tokenizados e liquidações baseadas em blockchain. Em paralelo, a Mastercard firmou parceria com a SoFi Technologies para permitir transferências B2B em tempo real e remessas internacionais utilizando o SoFiUSD.
Essas iniciativas mostram que o uso de stablecoins deixou de ser limitado a operações de negociação de criptomoedas. A infraestrutura agora começa a aparecer em produtos financeiros voltados para centenas de milhões de usuários em diferentes regiões do mundo.
Projetos corporativos também seguem o mesmo caminho. Um piloto conduzido pela Aon envolve pagamento de prêmios de seguro em stablecoins, enquanto a Circle Payments Network conecta corredores financeiros entre Estados Unidos, União Europeia, Singapura, Índia e Filipinas.
No mercado, a liderança permanece concentrada em dois ativos. O USDT da Tether responde por cerca de 58,9% do setor, enquanto o USDC da Circle possui aproximadamente 25%. Juntos, eles representam cerca de 84% de todo o valor do mercado de stablecoins.
Entre os novos participantes, o USDS da Sky alcançou US$ 7,92 bilhões, destacando-se como um dos ativos de crescimento mais rápido, impulsionado pela demanda por stablecoins que oferecem rendimento.
Ao mesmo tempo, regulações começam a moldar esse setor. Nos Estados Unidos, a Lei GENIUS estabeleceu uma estrutura federal para emissores, enquanto a MiCA na Europa define regras claras para operação de stablecoins em território europeu.
Mesmo assim, permanece uma tensão dentro do sistema financeiro. Bancos que exploram a tecnologia também fazem lobby contra certas permissões regulatórias para emissores. O resultado é um cenário em que instituições tradicionais integram a infraestrutura de stablecoins, ao mesmo tempo em que disputam os termos de sua regulamentação global.














