- Stablecoin em rublo desafia sanções ocidentais
- Crescimento de US$ 350 mi em um dia
- Movimenta mais de US$ 1 bi por dia
Uma stablecoin vinculada ao rublo russo, chamada A7A5, atingiu uma capitalização de mercado de US$ 500 milhões, posicionando-se como a maior stablecoin que não é denominada em dólar. O feito impressiona tanto pelo volume quanto pela complexidade política e regulatória envolvida.
Emitida no Quirguistão e lastreada 1:1 em depósitos em rublo, a A7A5 agora representa cerca de 43% do mercado global de stablecoins fora do dólar, com base nos dados consolidados por plataformas como DeFiLlama e outras empresas de análise.
Apesar de várias sanções já impostas, o token mostra resiliência: saiu de uma faixa de US$ 120–140 milhões para subir um valor extra de US$ 350 milhões em apenas um dia, um salto de cerca de 250%, ultrapassando concorrentes como o EURC da Circle.
O projeto foi lançado em fevereiro pela empresa A7, controlada em maioria por Ilan Shor, empresário moldavo sob acusações criminais, e pelo banco russo estatal sancionado Promsvyazbank (PSB). O token é apresentado como uma versão de “rublo digital”, com rendimentos passivos diários equivalentes a metade dos juros dos depósitos que o suportam.
Inicialmente emitido nas redes Ethereum e Tron, o A7A5 ganhou espaço como mecanismo de liquidação em transações entre parceiros comerciais da Rússia. Já no lançamento, analistas de blockchain associaram o token à Grinex, suposta sucessora da plataforma russa Garantex, sancionada por autoridades americanas.
O canal oficial no Telegram do projeto celebrou o marco, afirmando que o A7A5 “provou que uma moeda digital nacional pode ser não apenas uma alternativa ao dólar, mas também um impulsionador de mudanças globais”. Tal posicionamento, porém, contrasta com a visão ocidental, que enxerga risco elevado de evasão de sanções.
Relatórios da TRM Labs indicam que a stablecoin move atualmente mais de US$ 1 bilhão por dia, com volume total de transações acumulado ultrapassando os US$ 41 bilhões. O token tem sido apontado como instrumento para aquisição de bens de uso duplo através de cadeias comerciais envolvendo China e Ásia Central, aprofundando suspeitas regulatórias.
Jurisdições chinesas aparecem em quase 78% das operações mensais do A7A5, segundo o Centro de Resiliência da Informação (CIR). Além disso, o token vem expandindo sua presença em países africanos, com escritórios registrados na Nigéria e no Zimbábue.
Durante a conferência Token2049 em Singapura, o projeto teve destaque com estande e participação do executivo Oleg Ogienko no palco — gerando debate sobre regras de conformidade em eventos da área. Apesar de alegar independência de Shor e da PSB, documentos regulatórios demonstram que ambas as entidades seguem envolvidas no controle da A7A5, com participação de 51% e 49%, respectivamente.
Atualmente, o token é mantido por cerca de 24 mil detentores, e nos últimos meses foram adicionados mais de US$ 100 milhões em liquidez via USDT em sua exchange descentralizada.














