- Bitcoin precifica escassez global de liquidez, afirma Mallers
- Jack Mallers critica estrutura financeira da Strategy
- Empréstimos com Bitcoin lideram crescimento da Strike
O bitcoin pode estar transmitindo uma mensagem que muitos investidores tradicionais ainda não enxergam. Para Jack Mallers, fundador da Strike e CEO da Twenty One Capital, a negociação da maior criptomoeda do mercado abaixo de US$ 63.000 não representa apenas uma fase de pessimismo, mas sim um reflexo direto de uma crise de liquidez em escala global.
Durante participação na BTC Prague, Mallers afirmou que a queda do Bitcoin em relação aos níveis superiores a US$ 100.000 registrados há cerca de um ano deve ser interpretada como um sinal importante sobre as condições financeiras mundiais. Segundo ele, existe uma desconexão crescente entre os mercados tradicionais e os indicadores econômicos que afetam a população.
O executivo destacou que o índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan permanece em níveis historicamente baixos, enquanto o S&P 500 segue próximo de máximas recordes. Para Mallers, essa diferença sugere que os mercados acionários não estão refletindo completamente as dificuldades enfrentadas por empresas e consumidores.
“O Bitcoin é o que mais se aproxima de um reflexo monetário da verdade”, disse Mallers. “É um indicador ativo, negociado 24 horas por dia, 7 dias por semana, de como o mundo está se saindo.”
Na avaliação do empresário, governos continuam financiando guerras, investimentos em inteligência artificial e déficits públicos simultaneamente. Ao mesmo tempo, consumidores enfrentam dificuldades para honrar despesas básicas, como aluguel e faturas de cartão de crédito.
Essa combinação, segundo ele, cria um ambiente em que investidores e instituições são obrigados a levantar recursos vendendo ativos líquidos. “Você vende o que pode, não o que quer”, disse ele.
Mallers também comentou a recente venda de 32 bitcoins realizada pela Strategy. A operação chamou atenção por ter sido a primeira redução de posição da companhia desde o final de 2022. Para ele, o movimento demonstra que manter uma política absoluta de nunca vender bitcoin pode ser mais difícil na prática do que parece.
O executivo direcionou parte de suas críticas à estrutura de capital da empresa, que atualmente combina bitcoins, ações ordinárias, ações preferenciais perpétuas e títulos de dívida. Segundo Mallers, essa configuração cria interesses distintos entre os diferentes grupos de investidores.
“As ações preferenciais perpétuas não são resgatáveis e oferecem um cupom de 11,5%”, observou ele ao explicar sua preocupação com as futuras necessidades de liquidez da companhia.
Apesar das críticas públicas, Mallers minimizou qualquer conflito com Michael Saylor. “Tenho muitas conversas com o Michael”, disse Mallers. “Jantamos juntos o tempo todo.”
Enquanto acompanha o debate sobre tesourarias corporativas em Bitcoin, a Strike registra crescimento em outra frente. De acordo com Mallers, os empréstimos lastreados em bitcoin se tornaram o produto de melhor desempenho da empresa.
Ele acredita que esse segmento ainda representa apenas uma pequena parcela de seu potencial total. Como parte dessa estratégia, a Strike passou a oferecer empréstimos com mecanismos de proteção contra liquidações forçadas e prepara novas medidas de transparência, incluindo auditorias periódicas de comprovação de reservas e segregação de garantias para clientes de maior patrimônio.













