A semana foi movimentada para o Clarity Act, o projeto que define a estrutura regulatória do mercado de criptomoedas nos Estados Unidos. Depois de a proposta parecer travada na segunda-feira, a Casa Branca fechou acordo em torno de um pacote de medidas éticas e os senadores republicanos divulgaram a versão atualizada do texto, com 616 páginas. A recepção dividiu Washington: as principais entidades do setor cripto aprovaram o documento; os democratas, não.
Sete senadores democratas cujos votos podem decidir se o projeto supera o limite processual de 60 votos — entre eles Angela Alsobrooks (Maryland), Mark Warner (Virgínia), Catherine Cortez Masto (Nevada) e Ruben Gallego (Arizona) — afirmam que a proposta ainda falha em pontos como ética e combate ao financiamento ilícito. As negociações bipartidárias devem seguir pelo fim de semana, sob forte pressão de calendário: restam apenas nove dias legislativos até o recesso de agosto.
Indústria quer votação já
Chamber of Digital Commerce, Crypto Council for Innovation e Blockchain Association enviaram carta conjunta ao líder da maioria, John Thune, e ao líder da minoria, Chuck Schumer. Os CEOs elogiam o novo texto por reforçar as ferramentas das autoridades contra o financiamento ilícito e por criar a primeira estrutura federal de proteção ao consumidor para os mercados de criptoativos. Mesmo sem votos suficientes, defendem que a liderança inicie o processo em plenário imediatamente, argumentando que não há substituto para a segurança jurídica de longo prazo se os EUA quiserem manter a liderança global em inovação financeira.
Bancos resistem
O setor bancário segue como o crítico mais duro. American Bankers Association, Bank Policy Institute e Independent Community Bankers of America alegam que o texto não impede que as recompensas de stablecoins drenem depósitos e reduzam o crédito local. Também apontam brechas que enfraqueceriam exigências antilavagem sobre plataformas DeFi. Na contramão de outros executivos do setor, o CEO do Goldman Sachs, David Solomon, declarou apoio ao projeto.
O DeFi Education Fund saudou a manutenção do Blockchain Regulatory Certainty Act e as novas ferramentas de investigação. Já o detetive Matthew Hogan, da Polícia Estadual de Connecticut, considerou o texto um avanço, mas criticou lacunas na devolução de ativos a vítimas.
O que vem a seguir
O senador Thom Tillis (Carolina do Norte) lidera as tratativas sobre ética, após os democratas rejeitarem a proposta apoiada pela Casa Branca que daria poder de fiscalização ao Departamento de Justiça, e não aos procuradores estaduais. Tillis chamou o pacote de "um passo na direção certa", mas condiciona seu voto a salvaguardas mais rígidas contra o enriquecimento de autoridades com criptomoedas.
O cronograma também pode ser afetado pelo funeral do senador Lindsey Graham, marcado para 28 de julho em Washington, com presença esperada de boa parte da bancada republicana.

