- Senador dos EUA propõe banir apostas sobre ataques militares
- Mercados de previsão levantam suspeitas de informação privilegiada
- Apostas no ataque ao Irã geraram lucros milionários
O senador americano Chris Murphy afirmou que pretende apresentar ainda neste mês um projeto de lei para proibir negociações em mercados de previsão relacionadas a decisões do governo dos Estados Unidos, incluindo possíveis ataques militares. A iniciativa surge após suspeitas de uso de informações privilegiadas em apostas feitas pouco antes dos ataques aéreos dos EUA contra o Irã no final de fevereiro.
Segundo Murphy, dados on-chain analisados indicam que um pequeno grupo de carteiras realizou apostas expressivas na plataforma Polymarket poucas horas antes da operação militar. As transações ocorreram no contrato que questionava se os Estados Unidos atacariam o Irã até 28 de fevereiro de 2026.
Ao todo, seis carteiras recém-financiadas teriam investido cerca de US$ 989.191 na opção que previa o ataque. Uma delas transformou uma posição inicial de US$ 60.816 em um lucro de US$ 494.375 ao adquirir mais de 560 mil ações do contrato quando o preço indicava baixa probabilidade do evento.
Outras carteiras também registraram ganhos relevantes. A conta identificada como “Planktonbets” acumulou US$ 173.907 em lucro líquido após realizar sete previsões, enquanto a carteira “Dicedicedice” lucrou US$ 119.964 com apenas uma aposta, obtendo um retorno de aproximadamente 400%.
Em um vídeo publicado em sua conta na rede X, Murphy sugeriu que pessoas com acesso a informações dentro da Casa Branca poderiam ter se beneficiado das apostas.
“Obviamente, há pessoas próximas a Donald Trump que sabiam na sexta-feira o que aconteceria no sábado. E é muito provável, até mesmo plausível, que as pessoas que fizeram essas apostas tivessem informações privilegiadas”, disse Murphy.
Ele acrescentou que “parece que essas seis grandes contas criadas na sexta-feira lucraram um milhão de dólares com a nossa ida à guerra no sábado”.
O senador argumenta que permitir apostas sobre ações militares pode criar incentivos perigosos para quem possui acesso a decisões estratégicas do governo.
“Se continuarmos a permitir que as pessoas apostem na guerra, em ataques militares, então teremos pessoas na sala de situação tomando decisões não com base no que é bom para a segurança nacional… mas sim com base em se elas vão ganhar dinheiro com a guerra”, afirmou.
Last Friday, a handful of people made big, unusual $100,000+ bets on Polymarket – that the U.S. would strike Iran the next day.
The Iran War is fueling a new kind of corruption: White House officials secretly profiting off war.
It's disgusting. We need to ban it. pic.twitter.com/qs0aEzqemD
— Chris Murphy 🟧 (@ChrisMurphyCT) March 4, 2026
A proposta legislativa pretende proibir negociações relacionadas a decisões políticas e militares, como declarações de guerra ou posicionamentos oficiais de autoridades. No entanto, o texto deve preservar exceções para mercados financeiros tradicionais, como apostas relacionadas a decisões econômicas do Federal Reserve.
O deputado Mike Levin, da Califórnia, também manifestou apoio à iniciativa e afirmou trabalhar em um projeto semelhante na Câmara. Ele citou um caso envolvendo a conta “Magamyman”, que teria transformado cerca de US$ 87 mil em aproximadamente US$ 515 mil após apostar no ataque ao Irã minutos antes de a informação se tornar pública.
Casos semelhantes têm sido registrados em diferentes mercados de previsão. Em janeiro, um investidor lucrou mais de US$ 400 mil em 24 horas ao apostar na destituição do presidente venezuelano Nicolás Maduro pouco antes de anúncios políticos relacionados ao tema.
Enquanto os debates sobre possíveis abusos continuam, o volume de negociação nesses mercados segue em expansão. Dados recentes indicam que as principais plataformas de previsão movimentaram juntas cerca de US$ 18,3 bilhões em fevereiro, evidenciando o crescimento desse tipo de aposta em eventos políticos e econômicos.












