- SEC adia ETFs de previsão ligados a criptomoedas
- Bitcoin e Ethereum entram em novos pedidos de ETFs
- Mercados de previsão enfrentam pressão regulatória nos EUA
A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) decidiu adiar o lançamento de mais de 20 ETFs ligados a mercados de previsão, apresentados por gestoras como Roundhill Investments, GraniteShares e Bitwise. A medida interrompe temporariamente a tentativa de transformar contratos baseados em eventos do mundo real em produtos acessíveis ao investidor de varejo.
Os fundos estavam próximos de entrar em vigor automaticamente após o período padrão de análise de 75 dias. No entanto, a SEC solicitou informações adicionais sobre a estrutura operacional dos produtos e os detalhes de transparência para investidores. Pessoas próximas ao processo indicam que o atraso tende a ser temporário.
A proposta desses ETFs é acompanhar resultados de eventos variados, como eleições, recessões econômicas e demissões no setor de tecnologia. Entre os primeiros produtos planejados estão fundos ligados às eleições legislativas dos Estados Unidos e à corrida presidencial de 2028. A Bitwise também incluiu pedidos relacionados ao desempenho do Bitcoin, Ethereum e até cenários envolvendo o petróleo WTI acima de US$ 120.
O movimento ocorre em um momento em que os mercados de previsão ganham espaço dentro do sistema financeiro tradicional. Plataformas como Kalshi e Polymarket ganharam visibilidade durante as eleições americanas de 2024, ampliando o interesse por contratos atrelados a eventos políticos e econômicos. Corretoras como Interactive Brokers e Robinhood também passaram a explorar esse segmento.
Esses contratos funcionam com base em probabilidades binárias. Em geral, pagam US$ 1 caso o evento ocorra e nada se não acontecer, criando uma lógica semelhante a derivativos tradicionais, mas aplicada a acontecimentos do mundo real.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta desafios regulatórios. A Kalshi, por exemplo, está envolvida em disputas legais com estados que questionam a legalidade de alguns contratos, especialmente os ligados a eventos esportivos. Autoridades locais argumentam que esses produtos podem se enquadrar como apostas, enquanto a empresa defende que opera sob supervisão federal.
Documentos recentes também destacam riscos relevantes, incluindo possíveis disputas judiciais, mudanças regulatórias e preocupações com uso de informações privilegiadas. Em um dos registros, a Bitwise alerta que investidores podem não ter meios de contestar determinados preços de referência, mesmo diante de divergências no mercado.












