- Rússia quer classificar mineração como exportação oficial
- Setor movimenta bilhões de rublos por dia
- Mineração ilegal gera prejuízo ao Estado russo
A proposta de considerar a mineração de Bitcoin como uma atividade de exportação ganhou força após declarações de Maxim Oreshkin, assessor do Kremlin. Ele destacou que os Bitcoins produzidos no país acabam fluindo para o exterior, influenciando o mercado cambial e a balança de pagamentos mesmo sem atravessar fronteiras físicas.
Oreshkin argumentou que o setor gera receitas expressivas que não aparecem nas estatísticas oficiais, apesar de impactarem diretamente os fluxos financeiros. Segundo ele, a mineração já funciona como um “novo item de exportação” que ainda não recebe a devida valorização nas contas nacionais.
A Rússia passou a reconhecer a mineração de criptomoedas como atividade legal em 1º de novembro de 2024. Na visão do assessor, é necessário contabilizar esses fluxos, já que os ativos digitais podem ser usados para pagar importações por vias alternativas, representando um mecanismo adicional de liquidação em mercados internacionais.
Estimativas de líderes do setor reforçam a relevância econômica da atividade. Oleg Ogienko comentou que a produção anual russa pode chegar a “dezenas de milhares” de Bitcoins. Já Sergey Bezdelov, da Associação de Mineração Industrial, calculou que os mineradores locais produziram cerca de 55.000 BTC em 2023 e aproximadamente 35.000 BTC em 2024, em parte devido ao impacto do halving.
A receita também chama atenção. Mikhail Brezhnev, cofundador da 51ASIC, estimou que a mineração no país gera cerca de 1 bilhão de rublos por dia, número ligado ao poder computacional mantido pela Rússia e ao interesse crescente pelo Bitcoin. Brezhnev ressaltou que, como os ativos minerados podem ser usados diretamente para pagar faturas de importação, sua inclusão nas estatísticas oficiais faz sentido.
O governo estabeleceu regras de supervisão e tributação. Empresas e empresários precisam se registrar no Serviço Federal de Impostos, enquanto operadores domésticos só ficam isentos se consumirem menos de 6.000 kWh mensais. Operações corporativas pagam até 25% de impostos, enquanto pessoas físicas enfrentam alíquotas entre 13% e 22%; não residentes arcam com 30%.
Apesar do marco regulatório, a mineração ilegal continua sendo um problema. Investigações locais apontam que furtos de energia e sonegação geram prejuízos de bilhões de rublos ao Estado. Enquanto grandes empresas operam dentro das normas, operadores menores são acusados de manipular medidores e firmar acordos clandestinos com funcionários de concessionárias, repassando o custo da eletricidade para consumidores regulares.














