- China reduz mineração e afeta hashrate do Bitcoin
- Fechamento em Xinjiang pressiona mineradores e liquidez
- Mercado asiático vende enquanto EUA mantêm compras
Mineradores de Bitcoin enfrentaram uma nova rodada de restrições na China após a suspensão de operações na região de Xinjiang, um dos polos históricos da atividade no país. A medida retirou aproximadamente 400 mil máquinas de mineração da rede, resultando em uma queda estimada entre 8% e 10% no poder de processamento global do Bitcoin.
Relatos do setor indicam que a fiscalização foi intensificada por autoridades chinesas ao longo da semana, levando ao desligamento imediato das fazendas locais. De acordo com análises de mercado, a China ainda responde por cerca de 14% do hashrate global, o que torna o impacto relevante para a segurança e a dinâmica operacional da rede.
A empresa Bull Theory avaliou que a redução do hashrate ocorre em meio a uma pressão de venda mais ampla. Segundo a análise, detentores asiáticos de Bitcoin teriam iniciado a redução de posições semanas antes do anúncio oficial, antecipando o endurecimento regulatório. Dados on-chain apontam aumento nas vendas por investidores de longo prazo ao longo dos últimos dois meses.
Com o fechamento das operações em Xinjiang, diversas fazendas de mineração passaram a liquidar reservas de Bitcoin e equipamentos para cobrir custos e prejuízos. Esse movimento contribuiu para um aumento da oferta no mercado à vista, especialmente nas corretoras asiáticas. Plataformas como Binance, Bybit e OKX registraram vendas líquidas consistentes durante o quarto trimestre.
Em contraste, corretoras americanas como a Coinbase mantiveram compras líquidas no mesmo período. Essa divergência regional ajudou a manter o Bitcoin próximo ao limite inferior da faixa de preços formada no fim de novembro, sem força suficiente para recuperar máximas recentes.
Dados da Luxor mostram que a taxa de hash da rede caiu de cerca de 1.160 exahashes por segundo em outubro para aproximadamente 1.045 EH/s em dezembro. O movimento resultou em três ajustes de dificuldade negativos consecutivos, um sinal de retração contínua da capacidade de mineração.
A Luxor atribuiu o cenário a uma combinação de fatores. Entre eles estão a queda no preço do Bitcoin, que empurrou equipamentos mais antigos para margens negativas, ações regulatórias regionais que removeram capacidade relevante e o aumento sazonal dos custos de energia no inverno, especialmente na América do Norte.
Outro indicador sob pressão é o preço do hash, métrica que reflete a receita esperada por unidade de poder computacional. Segundo a Luxor, esse indicador atingiu mínimas históricas, ampliando o estresse financeiro sobre os mineradores.
Com menos hashrate ativo e maior necessidade de liquidez, o setor de mineração segue ajustando operações, enquanto o mercado observa como a redistribuição geográfica da mineração pode influenciar a rede e o comportamento de preço do Bitcoin nos próximos meses.













