- Esquema Ponzi com criptomoedas resulta em nova condenação
- IcomTech mirou investidores de comunidades latinas nos EUA
- Justiça amplia punições contra líderes do golpe cripto
Um dos principais promotores do esquema Ponzi de criptomoedas da IcomTech foi condenado a quase seis anos de prisão nos Estados Unidos, aprofundando o cerco judicial contra os responsáveis por uma das fraudes mais conhecidas envolvendo ativos digitais no país. A sentença reforça a responsabilização penal de figuras-chave que atuaram diretamente na captação de investidores.
Magdaleno Mendoza, de 56 anos, recebeu uma pena de 71 meses de prisão após se declarar culpado, em julho, por conspiração para cometer fraude eletrônica e reentrada ilegal em território americano. A condenação foi anunciada em comunicado oficial do Departamento de Justiça e se soma a outras decisões já proferidas contra lideranças da IcomTech.
De acordo com o procurador federal Jay Clayton, do Distrito Sul de Nova York, Mendoza teve papel central na expansão do esquema, especialmente ao recrutar vítimas em comunidades de classe trabalhadora de língua espanhola.
“Como um dos principais promotores da IcomTech, Mendoza ajudou a explorar vítimas de língua espanhola que não tinham experiência em investimentos, incluindo nossos conterrâneos nova-iorquinos”,
disse Clayton.
“Aproveitando-se da confiança e da promessa das ‘criptomoedas’, ele e seus cúmplices roubaram milhões de pessoas da classe trabalhadora.”
A decisão ocorre após o fundador da IcomTech, David Carmona, ter sido condenado a 121 meses de prisão em outubro de 2024, sendo apontado pelos promotores como o principal arquiteto da fraude. O ex-CEO da empresa, Marco Ruiz Ochoa, também já havia recebido uma pena de cinco anos de prisão em janeiro do mesmo ano.
Lançada em 2018, a IcomTech se apresentava como uma empresa de mineração e negociação de criptomoedas, prometendo retornos garantidos aos investidores. Na prática, segundo as autoridades, o modelo operava como um esquema Ponzi clássico, utilizando recursos de novos participantes para pagar membros antigos e sustentar o estilo de vida luxuoso dos promotores, sem realizar qualquer atividade real de mineração ou trading.
Dados da Commodity Futures Trading Commission indicam que operadores da IcomTech solicitaram de forma fraudulenta pelo menos US$ 1 milhão de cerca de 190 pessoas nos Estados Unidos e em outros países. Documentos judiciais apontam que Mendoza viajava com frequência pelo país para promover eventos e coordenava ações diretamente com Carmona.
Além da pena de prisão, Mendoza foi condenado a pagar aproximadamente US$ 790 mil em restituição, perder US$ 1,5 milhão em valores relacionados ao esquema e abrir mão de sua participação em um imóvel na Califórnia, adquirido, segundo as autoridades, com recursos provenientes da fraude.












