- Fed pode cortar juros já em setembro
- Inflação ainda preocupa autoridades monetárias
- Mercado reage com otimismo ao discurso de Powell
O presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, indicou nesta sexta-feira (22) que a autoridade monetária pode iniciar um ciclo de cortes nas taxas de juros já em setembro. Em discurso durante o simpósio anual de Jackson Hole, Powell afirmou que “a perspectiva básica e a mudança no equilíbrio de riscos podem justificar o ajuste de nossa postura política”.
Embora tenha aberto espaço para flexibilização, Powell também ressaltou que os riscos relacionados à inflação continuam elevados. “As pressões inflacionárias ligadas às tarifas agora estão claramente visíveis”, alertou, acrescentando que esses efeitos tendem a se intensificar nos próximos meses, ainda que exista “grande incerteza quanto ao momento e aos valores”.
Ele deixou claro que o Federal Reserve está atento a qualquer sinal de inflação persistente. “Não permitiremos que um aumento único no nível de preços se transforme em um problema contínuo de inflação”, afirmou.
Na reunião mais recente, realizada em 31 de julho, o Fed manteve os juros na faixa de 4,25% a 4,50%. Desde então, as declarações públicas dos membros do banco central indicam uma divisão interna sobre a necessidade de cortes adicionais. Alguns, como Michelle Bowman e Chris Waller, prefeririam ter iniciado as reduções já naquele encontro.
Apesar das divergências, os mercados reagiram positivamente às falas de Powell. A expectativa de corte em setembro saltou para mais de 90%, segundo dados do CME Group, o que impulsionou os principais índices de ações dos EUA.
Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, voltou a defender a manutenção dos juros diante das incertezas inflacionárias. Por outro lado, o enfraquecimento do mercado de trabalho foi destacado por Powell como um fator de risco adicional. “A desaceleração tanto na oferta quanto na demanda por trabalhadores cria um equilíbrio curioso. Se os riscos de queda no emprego se concretizarem, isso pode ocorrer de forma rápida e intensa, resultando em demissões e aumento do desemprego”, concluiu.












