- Petróleo iraniano ameaça oferta global
- Estreito de Ormuz pressiona mercado de petróleo
- Preço do barril pode subir US$ 20
O petróleo iraniano voltou ao centro do mercado global de petróleo após os ataques dos EUA contra o Irã, aumentando o risco de interrupção no fornecimento do Oriente Médio. Analistas avaliam que, na ausência de uma solução diplomática rápida, o preço do barril pode disparar entre US$ 10 e US$ 20 ou até mais, dependendo da reação de Teerã.
O Irã é um dos principais produtores da OPEP, com produção superior a 3 milhões de barris por dia. Além da relevância na oferta, o país divide a costa com o Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de um terço das exportações marítimas globais de petróleo bruto.
Mais de 14 milhões de barris por dia transitaram pela hidrovia em 2025, com forte dependência de países asiáticos como China, Índia, Japão e Coreia do Sul. A China, segunda maior economia do mundo, recebe aproximadamente metade de suas importações de petróleo pelo estreito.
Para Bob McNally, fundador da Rapidan Energy e ex-conselheiro de energia da Casa Branca durante o governo George W. Bush, o mercado ainda não está precificando totalmente o risco. “Isto é para valer”, afirmou. Segundo ele, os contratos futuros podem reagir inicialmente com alta de US$ 5 a US$ 7 por barril, movimento que pode se ampliar caso haja escalada militar.
“O fechamento prolongado do Estreito de Ormuz é garantia de recessão global”, disse McNally. Ele destacou que o Irã dispõe de capacidade militar suficiente para comprometer o tráfego comercial, o que poderia elevar o preço do barril acima de US$ 100.
Relatos indicam que o Irã lançou mísseis contra bases americanas no Catar, Kuwait, Emirados Árabes Unidos e Bahrein. Para Tom Kloza, da Kloza Advisors, essa ampliação do conflito altera os cálculos de risco no transporte marítimo. “O ataque do Irã a outros países vizinhos no Golfo Pérsico altera os cálculos, e a extensão dos ataques pressiona as seguradoras a aumentarem agressivamente as taxas de seguro para navios-tanque que trafegam pelo Estreito de Ormuz ou a se recusarem a assegurar qualquer tráfego”, afirmou.
Apesar da existência de oleodutos alternativos na Arábia Saudita e nos Emirados Árabes Unidos, a capacidade de desvio é limitada. Cerca de 20% das exportações globais de gás natural liquefeito também passam pela mesma rota.
O atual presidente dos EUA, Donald Trump, pode recorrer à Reserva Estratégica de Petróleo, que possui aproximadamente 415 milhões de barris. Ainda assim, especialistas alertam que, em uma crise prolongada envolvendo o petróleo iraniano, a escala e a duração do choque seriam determinantes para o impacto sobre o mercado de petróleo e a economia global.












