- Petróleo acima US$100 com tensão EUA-Irã
- Estreito de Ormuz impacta oferta global de energia
- Mercado reage a falas de Trump e OPEP
Os preços do petróleo nos Estados Unidos voltaram a subir com força nesta terça-feira, impulsionados por novas tensões geopolíticas envolvendo o Irã e o posicionamento do atual presidente dos EUA, Donald Trump.
Os contratos futuros do West Texas Intermediate (WTI) avançaram mais de 3%, alcançando US$ 100,11 por barril nas primeiras horas do dia. Já o Brent, referência global, registrou alta de 3,2%, sendo negociado a US$ 111,67.
O movimento ocorre após relatos de que Trump demonstrou insatisfação com uma proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz e encerrar o conflito em andamento. De acordo com informações divulgadas, não houve clareza sobre os motivos exatos da rejeição da oferta iraniana.
A proposta de Teerã prevê a retomada do tráfego marítimo na região, desde que os Estados Unidos suspendam o bloqueio naval. No entanto, o governo iraniano prefere deixar para um momento posterior as negociações sobre seu programa nuclear.
O secretário de Estado Marco Rubio também demonstrou ceticismo em relação à proposta. Em entrevista à Fox News, ele criticou a possibilidade de o Irã manter controle sobre a rota estratégica.
“Isso não é abrir o estreito. Essas são vias navegáveis internacionais. Eles não podem normalizar, nem podemos tolerar que tentem normalizar, um sistema em que os iranianos decidem quem pode usar uma via navegável internacional e quanto você tem que pagar para usá-la”, disse Rubio.
O Estreito de Ormuz é responsável pelo transporte de cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumidos globalmente. Atualmente, o fluxo energético na região segue severamente comprometido, afetando aproximadamente 20 milhões de barris por dia, segundo estimativas do setor.
Mesmo com uma eventual trégua imediata, especialistas apontam que a normalização do mercado levaria meses. Entre os desafios estão a remoção de minas marítimas, o congestionamento de navios e a retomada gradual das operações de produção e refino.
A expectativa é de que o equilíbrio no mercado leve entre quatro e seis meses, com os preços permanecendo elevados durante esse período devido à redução dos estoques globais.
“Quanto mais tempo durar o conflito, mais alto será o preço, especialmente à medida que os estoques forem reduzidos a níveis operacionais críticos. Se o conflito terminasse amanhã, estima-se que os preços do petróleo bruto cairiam US$ 10 por barril”, acrescentou.
Sem avanços nas negociações, projeções indicam que o WTI pode se manter próximo dos US$ 100, enquanto o Brent tende a continuar acima de US$ 110.
O mercado também acompanha mudanças na OPEP, após o anúncio de saída dos Emirados Árabes Unidos, o que adiciona mais incerteza à oferta global de energia.












