- Petróleo sobe com guerra EUA-Irã e risco energético global
- Estreito de Ormuz pressionado impulsiona petróleo e mercados
- Conflito geopolítico eleva petróleo e afeta ativos globais
Os preços do petróleo voltaram a subir nesta quarta-feira enquanto investidores acompanham a possibilidade de uma liberação histórica de reservas estratégicas pela Agência Internacional de Energia (AIE). A escalada da guerra entre Estados Unidos e Irã, combinada com interrupções no Estreito de Ormuz, aumentou a pressão sobre o mercado global de energia.
Durante as primeiras horas do pregão internacional, o petróleo Brent — referência global para o setor — chegou a subir cerca de 2%, sendo negociado próximo de US$ 89,49 por barril. O petróleo bruto dos Estados Unidos também avançou, registrando alta superior a 2%, próximo de US$ 85 por barril após atingir picos próximos de US$ 89.
O aumento ocorre em meio a novos ataques contra embarcações comerciais na costa iraniana, o que afetou severamente o fluxo de petroleiros na região. O Estreito de Ormuz, considerado um dos corredores marítimos mais importantes do planeta para o transporte de energia, enfrenta restrições após ameaças militares do Irã e confrontos com forças ocidentais.
Em resposta ao cenário, ministros de energia do G7 se reuniram em Paris para discutir possíveis medidas emergenciais destinadas a estabilizar os mercados globais de petróleo e gás. Entre as propostas avaliadas está a liberação coordenada de reservas estratégicas.
Segundo informações divulgadas por agências internacionais, a AIE pode recomendar uma liberação que ultrapasse 100 milhões de barris já no primeiro mês da operação. Em comunicado enviado à Bloomberg, os ministros afirmaram apoiar a “implementação de medidas proativas para lidar com a situação, incluindo o uso de reservas estratégicas”.
O diretor da agência, Fatih Birol, destacou que o mercado enfrenta uma deterioração rápida nas condições de oferta e logística.
“Nos mercados de petróleo, as condições se deterioraram nos últimos dias”, disse Birol, apontando para os desafios de trânsito, bem como para uma redução substancial na produção de petróleo.
“Isso está criando riscos significativos e crescentes para o mercado”, acrescentou. “Discutimos todas as opções disponíveis, incluindo disponibilizar ao mercado as reservas de emergência de petróleo da AIE.”
Os mercados também reagiram a informações equivocadas divulgadas anteriormente nas redes sociais pelo secretário de Energia dos EUA, Chris Wright. Uma publicação indicava que a Marinha dos Estados Unidos teria escoltado um petroleiro pelo Estreito de Ormuz, o que posteriormente foi desmentido pela Casa Branca.
A secretária de imprensa Karoline Leavitt afirmou que a Marinha norte-americana “não havia escoltado nenhum navio-tanque ou embarcação naquele momento”.
Analistas acompanham com atenção a duração do conflito no Oriente Médio. Para Sasha Foss, analista do mercado de energia da Marex, o comportamento do petróleo dependerá diretamente da reabertura da rota marítima.
“Este conflito precisa terminar até o final da semana. Caso contrário, veremos os preços do petróleo subirem novamente para mais de US$ 100”, disse Foss.
Especialistas do setor também avaliam que, caso as interrupções no Estreito de Ormuz persistam, os preços podem avançar ainda mais nos próximos meses, pressionando cadeias globais de energia e transporte.












