- Petróleo dispara com temores sobre oferta global
- Brent chega a US$ 97,92 mesmo após intervenção
- Estreito de Ormuz mantém pressão nos preços
Os preços do petróleo registraram forte alta nesta quinta-feira, mesmo após governos anunciarem a maior liberação coordenada de reservas estratégicas da história. O movimento reforça a percepção entre investidores de que a crise no Oriente Médio pode provocar um choque prolongado na oferta global de energia.
O barril do petróleo West Texas Intermediate (WTI) avançou cerca de 7,5%, sendo negociado próximo de US$ 93,8. Já o Brent, referência internacional do petróleo, opera atualmente a US$ 97,92, acumulando alta de US$ 5,94 (+5,54%), segundo dados da ICE para contratos com vencimento em maio de 2026.
A disparada ocorreu apesar do anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de que seus países membros irão liberar aproximadamente 400 milhões de barris de petróleo de reservas emergenciais. A medida representa a maior intervenção coordenada desde a criação da organização após a crise energética provocada pelo embargo de petróleo de 1973.
Nos Estados Unidos, o governo informou que pretende disponibilizar cerca de 172 milhões de barris de sua Reserva Estratégica de Petróleo. O secretário de Energia, Chris Wright, afirmou que os primeiros embarques poderão começar já na próxima semana e que o processo completo deve levar cerca de 120 dias.
Mesmo com essas iniciativas, o mercado reagiu com cautela. Operadores avaliam que os volumes anunciados podem não ser suficientes para compensar possíveis interrupções prolongadas no fluxo global de petróleo.
Grande parte da preocupação está ligada ao Estreito de Ormuz, uma das rotas marítimas mais importantes para o transporte de petróleo no mundo. Aproximadamente um quinto de todo o abastecimento global passa pelo corredor que conecta o Golfo Pérsico aos mercados internacionais.
“Os preços ainda estão em modo de pânico. Há muita emoção, medo e incerteza embutidos nos preços que vemos”, disse Pavel Molchanov, estrategista sênior de investimentos da Raymond James.
Para alguns analistas, mesmo a liberação recorde de reservas pode cobrir apenas uma parte da possível lacuna de oferta. Saul Kavonic, analista de energia da MST Marquee, explicou que o impacto da medida pode compensar apenas uma fração do déficit caso o fluxo no Estreito de Ormuz permaneça interrompido.
“Mas a decisão da AIE também sinaliza a gravidade do risco de escassez de petróleo, sugerindo que a AIE não acredita que a guerra vá terminar em breve, e que as reservas retiradas agora precisarão ser repostas mais tarde, prenunciando preços mais altos mesmo depois do fim da guerra”, disse ele à CNBC.
Outro fator que mantém a volatilidade é a incerteza sobre o tempo necessário para que os barris liberados cheguem efetivamente ao mercado internacional.
“Essa é uma das principais incógnitas: quanto tempo levará para que os 400 milhões de barris sejam fisicamente entregues ao mercado”, disse Molchanov.












