- Projeção de petróleo a US$ 175 eleva alerta global
- Crise no Estreito de Ormuz pressiona Bitcoin e mercados
- Guerra entre EUA e Irã aumenta risco econômico global
A escalada da crise no Estreito de Ormuz passou a dominar o planejamento de grandes empresas globais e aumentou a pressão sobre mercados como ações, commodities e criptomoedas. Com cadeias de suprimentos afetadas e o fluxo de energia ameaçado, executivos já trabalham com a projeção de um petróleo que pode alcançar US$ 175 por barril em cenários mais extremos.
Na United Airlines, o CEO Scott Kirby afirmou que a companhia considera esse patamar em suas simulações internas, além de projetar tarifas acima de US$ 100 até 2027. Ele destacou que a estimativa não é garantida, mas reflete a necessidade de planejamento diante da escalada do conflito no Oriente Médio.
A tensão geopolítica ganhou força enquanto a guerra entre EUA e Irã segue sem uma resolução clara. O atual presidente dos EUA, Donald Trump, intensificou o tom ao afirmar que o Irã teria 48 horas para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentaria ataques diretos contra sua infraestrutura energética.
Do lado iraniano, autoridades afirmaram no domingo que o estreito seria “completamente fechado” caso suas instalações fossem atingidas. O impasse aumentou o alerta entre empresas globais, especialmente aquelas dependentes de transporte marítimo, energia e cadeias internacionais de suprimento.
Em uma teleconferência do Conselho de Diretores Financeiros da CNBC, executivos de diferentes setores discutiram possíveis desdobramentos da crise. A avaliação predominante é de que o mercado pode enfrentar uma nova rodada de pressão caso não haja solução até o início de abril.
John Kilduff, especialista da Again Capital, destacou que o momento é considerado decisivo pelos operadores.
“Estamos vivendo um período crucial, em parte porque as autoridades militares estão nos informando que estão voltando sua atenção para o Estreito de Taiwan”, afirmou.
Segundo ele, caso o bloqueio persista, o petróleo pode ultrapassar US$ 100 já no segundo trimestre, abrindo caminho para novas altas e possíveis gargalos de oferta. Países asiáticos como Índia, Japão e Coreia do Sul estariam entre os mais afetados, com risco de redução na atividade industrial.
Um diretor financeiro do setor de energia revelou que sua empresa trabalha com três cenários principais: reabertura do Estreito de Ormuz ainda em março, normalização até o meio do ano ou manutenção do bloqueio até o fim de 2026. A falta de visibilidade, segundo ele, impede qualquer previsão mais precisa.
Mesmo empresas fora do setor energético já observam impactos indiretos. Um CFO do setor de tecnologia afirmou que a desaceleração do consumo global tende a afetar contratos corporativos, com efeitos diretos em regiões estratégicas como Arábia Saudita, Dubai e Emirados Árabes Unidos. “a demanda do consumidor acaba impactando a demanda corporativa, o que impactaria diretamente nossos negócios”.
Para o mercado de criptomoedas, o cenário adiciona uma camada extra de pressão. Com o Nasdaq em correção e os preços de energia no centro das atenções, ativos como Bitcoin e principais altcoins passam a reagir com maior sensibilidade ao ambiente macroeconômico.
A combinação entre risco geopolítico, possível escassez energética e aumento dos custos globais reforça a cautela entre investidores, enquanto o mercado acompanha de perto os próximos movimentos no Estreito de Ormuz e suas consequências para a economia mundial.














