- Tarifas dos EUA reduzem expectativa de demanda por petróleo
- WTI e Brent testam suportes após aversão ao risco
- Negociações com Irã diminuem prêmio geopolítico do petróleo
Os preços do petróleo recuaram de forma expressiva no início da semana, pressionados por mudanças na política comercial dos Estados Unidos e por sinais de redução nas tensões geopolíticas no Oriente Médio. O movimento levou os contratos do Brent e do West Texas Intermediate (WTI) a testarem níveis técnicos relevantes, refletindo uma reavaliação das perspectivas de demanda global.
O principal fator de pressão veio da decisão do atual presidente dos EUA, Donald Trump, de elevar temporariamente as tarifas sobre importações de 10% para 15%. A medida foi adotada após uma decisão da Suprema Corte que derrubou o programa tarifário anterior, levando a Casa Branca a implementar uma nova política comercial.
Analistas apontam que tarifas mais altas tendem a reduzir o volume de comércio internacional, desacelerar a atividade industrial e diminuir o consumo de combustíveis. Esse conjunto de fatores costuma impactar diretamente a demanda por petróleo, influenciando as expectativas dos participantes do mercado de energia.
A reação dos investidores também evidenciou um movimento de cautela. Enquanto o ouro registrou valorização como ativo de proteção, os futuros das bolsas americanas e os contratos de petróleo recuaram, refletindo um ambiente de maior aversão ao risco nos mercados globais.
Outro elemento que contribuiu para a queda dos preços foi o avanço das negociações nucleares entre Estados Unidos e Irã. A terceira rodada de conversas está prevista para ocorrer em Genebra, com a mediação diplomática de Omã. Autoridades iranianas indicaram a possibilidade de concessões em seu programa nuclear em troca de alívio nas sanções econômicas.
A perspectiva de um acordo reduziu a probabilidade de um conflito militar na região, diminuindo o chamado prêmio geopolítico que vinha sustentando as cotações do petróleo nas últimas semanas. Com menor risco de interrupções no fornecimento, operadores passaram a ajustar suas posições no mercado futuro.
Em relatório recente, o banco de investimento Goldman Sachs indicou que o mercado global de petróleo pode registrar excedente em 2026, desde que não ocorram interrupções significativas na produção iraniana. A instituição também revisou suas projeções para o quarto trimestre, citando a redução dos estoques nos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) como um dos fatores considerados no ajuste das estimativas para o WTI.
Além das questões comerciais e diplomáticas, investidores seguem monitorando outros elementos que influenciam o equilíbrio entre oferta e demanda, incluindo o conflito entre Rússia e Ucrânia e os desdobramentos da política econômica global. Esses fatores continuam no radar do mercado de commodities, com impacto direto sobre o comportamento dos preços de energia e sobre os ativos sensíveis ao crescimento econômico.














