- Mineradores de Bitcoin migram parte da energia para IA
- Contratos de bilhões indicam novo modelo de receita
- Hospedagem de IA reduz pressão de venda de BTC
Após o halving de abril de 2024, que reduziu as recompensas por bloco de 6,25 para 3,125 BTC, os mineradores de Bitcoin vêm reformulando seus modelos de negócio para manter a lucratividade. Com o preço do hash em queda e custos energéticos fixos em dólar, gigantes do setor estão direcionando parte de suas operações para a hospedagem de infraestrutura de inteligência artificial (IA), um mercado que promete fluxos de caixa estáveis e contratos plurianuais em moeda fiduciária.
A Core Scientific assinou um acordo com a CoreWeave para fornecer 500 megawatts (MW) de capacidade por US$ 8,7 bilhões ao longo de 12 anos, enquanto a Cipher fechou um contrato de US$ 3 bilhões com a Fluidstack por 168 MW, garantido pelo Google. Esses acordos indicam uma tendência: transformar a energia e os data centers antes dedicados à mineração de Bitcoin em centros de computação de alto desempenho (HPC) para IA.
O racional econômico é claro. Minerar Bitcoin a US$ 75 por petahash por dia gera cerca de US$ 179 por megawatt-hora (MWh), com uma margem média de US$ 129 por MWh após custos de energia. Já a hospedagem de IA oferece receitas entre US$ 139 e US$ 208 por MWh, com contratos de longo prazo e menor exposição à volatilidade do BTC. Essa previsibilidade tem atraído mineradoras endividadas ou com margens comprimidas.
Empresas como Riot Platforms, CleanSpark e Bitdeer estão seguindo o mesmo caminho, alocando parte de sua capacidade elétrica para clientes de IA e mantendo o restante para mineração. Essa diversificação permite que continuem acumulando Bitcoin sem precisar vender parte de suas reservas para cobrir despesas operacionais. A Riot, por exemplo, vendeu 465 BTC em setembro de 2025, enquanto a CleanSpark ampliou seu tesouro para mais de 13.000 BTC, reforçando a importância da gestão de caixa e da política de tesouraria em tempos de hash price baixo.
Analistas destacam que a conversão parcial de capacidade para IA pode reduzir a pressão de venda de Bitcoin, preservando o equilíbrio de oferta no mercado. Por outro lado, uma migração excessiva pode diminuir o hashrate global, afetando temporariamente a segurança da rede até que o ajuste de dificuldade estabilize o sistema. Ainda assim, o modelo híbrido — parte mineração, parte hospedagem de IA — está emergindo como a nova estratégia dominante no setor.
Com o crescimento da demanda por computação de IA e a valorização dos contratos de colocation, as mineradoras mais bem posicionadas, com energia barata e infraestrutura escalável, estão se transformando em players estratégicos de infraestrutura digital — empresas que tanto protegem a blockchain quanto alimentam o avanço da inteligência artificial.












