- Petróleo perto de US$100 pressiona mercados globais
- Tensão EUA-Irã afeta bolsas da Ásia-Pacífico
- Energia cara pode elevar inflação global
Os mercados da Ásia-Pacífico iniciaram a semana com desempenho misto, enquanto investidores analisavam os efeitos da escalada das tensões entre os Estados Unidos e o Irã e a forte alta nos preços do petróleo.
A atenção do mercado se voltou para o avanço do petróleo bruto, que ultrapassou a marca de US$ 100 por barril nos contratos negociados nos Estados Unidos. O movimento intensificou as preocupações sobre possíveis impactos na inflação global e no crescimento econômico.
Por volta das 20h10 no horário do leste dos EUA, o Brent — referência internacional — era negociado próximo da estabilidade, cotado a US$ 98,7 por barril. Já os contratos do petróleo nos EUA registravam leve avanço de 0,48%, atingindo US$ 103,7 por barril.
A valorização ocorre em meio ao aumento das tensões no Oriente Médio. Na sexta-feira, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, ordenou ataques contra instalações militares iranianas na ilha de Kharg.
A região é considerada um ponto estratégico para a exportação de petróleo do Irã e frequentemente é chamada de “linha de vida do petróleo” do país.
No domingo, o embaixador dos EUA nas Nações Unidas, Mike Waltz, reforçou o alerta sobre possíveis novos ataques contra depósitos de petróleo bruto localizados na mesma área, ampliando a incerteza nos mercados de energia.
Nas bolsas asiáticas, o clima foi de cautela. O índice S&P/ASX 200 da Austrália recuou 0,31% no início das negociações.
No Japão, o Nikkei 225 registrou queda de 0,12%, enquanto o Topix perdeu 0,11%. Já na Coreia do Sul, o Kospi avançou 0,95%, enquanto o Kosdaq permaneceu praticamente estável.
Em Hong Kong, os contratos futuros indicavam abertura levemente positiva para o índice Hang Seng. O futuro era negociado a 25.481 pontos, acima do último fechamento do índice, que terminou em 25.465,6 pontos.
Analistas do Goldman Sachs apontaram que o aumento dos preços da energia causado pelo conflito envolvendo o Irã pode gerar impactos relevantes na economia global.
Segundo o banco, o choque energético pode reduzir o PIB global em cerca de 0,3% no próximo ano, ao mesmo tempo em que pode elevar a inflação mundial entre 0,5% e 0,6%.
O Goldman Sachs também destacou que a alta do gás natural pode aumentar ainda mais a pressão inflacionária, principalmente na Europa e na Ásia.
Os riscos podem se intensificar caso o Estreito de Ormuz permaneça fechado por um período prolongado, já que a região é uma rota estratégica para o transporte global de petróleo.
Nos Estados Unidos, os contratos futuros das bolsas apresentaram leve recuperação após uma semana negativa em Wall Street.
Os futuros do Dow Jones Industrial Average subiram 153 pontos, ou 0,3%. Já os futuros do S&P 500 e do Nasdaq-100 também avançaram cerca de 0,3%.
Na sexta-feira, os principais índices americanos encerraram o dia em queda. O S&P 500 recuou 0,61%, fechando em 6.632,19 pontos, cerca de 5% abaixo de sua máxima recente.
O Nasdaq Composite caiu 0,93%, enquanto o Dow Jones Industrial Average perdeu 119,38 pontos, equivalente a 0,26%, encerrando a sessão em 46.558,47 pontos.












