- Liquidação da Terraform mira acordo secreto com Jump Trading
- TerraUSD e Luna no centro de ação bilionária
- Processo reforça escrutínio sobre stablecoins algorítmicas
O administrador responsável pela liquidação da Terraform Labs entrou com um processo de US$ 4 bilhões contra a Jump Trading e executivos ligados à empresa, ampliando as disputas judiciais decorrentes do colapso do ecossistema Terra em 2022. A ação busca atribuir responsabilidades a terceiros pelo impacto financeiro que atingiu investidores e credores após a queda da TerraUSD e do token Luna.
De acordo com o administrador judicial Todd Snyder, a Jump Trading, seu cofundador William DiSomma e o ex-presidente Kanav Kariya teriam se beneficiado de um acordo não divulgado previamente com a Terraform Labs. A acusação sustenta que esse entendimento teria inflado artificialmente a stablecoin algorítmica TerraUSD antes de sua perda definitiva de paridade, permitindo ganhos expressivos para a empresa de trading.
A Terraform Labs, fundada por Do Kwon, entrou em colapso quando a TerraUSD deixou de manter a paridade com o dólar, arrastando o Luna para uma queda acentuada. O episódio eliminou mais de US$ 40 bilhões do mercado de criptomoedas e desencadeou uma série de falências em empresas do setor, especialmente no segmento de empréstimos e produtos estruturados.
Após tentativas sem sucesso de recuperação do ecossistema, a Terraform pediu proteção contra credores em 2024. Como parte das consequências regulatórias, a empresa concordou em pagar US$ 4,47 bilhões em multas à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC). Do Kwon, por sua vez, foi condenado a 15 anos de prisão nos EUA depois de se declarar culpado de duas acusações criminais em agosto.
Snyder afirma que a Jump “explorou ativamente” o ecossistema da Terraform ao participar de operações que teriam sustentado temporariamente a TerraUSD. “Essa ação é um passo necessário para responsabilizar a Jump Trading pela conduta ilegal que causou diretamente o maior colapso do mercado de criptomoedas da história”, disse Snyder.
As alegações dialogam com conclusões anteriores da SEC, que apontaram a atuação da unidade Tai Mo Shan, ligada à Jump, na compra de US$ 20 milhões em TerraUSD em 2021, após uma breve perda de paridade. Em troca, a unidade teria recebido tokens Luna desbloqueados antecipadamente, posteriormente vendidos no mercado. A SEC acusou a Tai Mo Shan de obter US$ 1,28 bilhão com o acordo e firmou um acerto que resultou no pagamento de cerca de US$ 123 milhões em multas.
Em resposta, um porta-voz da Jump classificou o processo como uma “tentativa desesperada” de transferir responsabilidades, afirmando que a empresa pretende se defender de forma rigorosa. Até agora, aproximadamente US$ 300 milhões em ativos foram recuperados para indenizar credores da Terraform, enquanto o processo segue em análise judicial.












