- Irã movimenta US$ 3 bilhões em Bitcoin e criptomoedas
- Relatório aponta aumento global de transações ilícitas com criptomoedas
- Sanções internacionais impulsionam uso de Bitcoin por países sancionados
O uso de criptomoedas pelo governo iraniano e por entidades ligadas ao regime ganhou escala significativa em 2025, ultrapassando US$ 3 bilhões em movimentações associadas a redes vinculadas à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC). A estimativa aparece no Relatório de Crimes com Criptomoedas de 2026, produzido pela empresa de análise de blockchain Chainalysis.
Segundo o levantamento, o aumento ocorre em meio às sanções internacionais impostas ao país, que limitam o acesso do Irã ao sistema financeiro global. Nesse contexto, as criptomoedas passaram a desempenhar um papel cada vez mais relevante para facilitar pagamentos internacionais e apoiar operações externas.
“O Irã continuou integrando criptomoedas em suas prioridades estratégicas e no financiamento de grupos paramilitares, mesmo enquanto o regime enfrentava pressões internas e externas nunca vistas desde os primórdios da República Islâmica”, relatou a Chainalysis.
Os dados indicam que, apenas no quarto trimestre de 2025, endereços associados à IRGC responderam por mais da metade de todo o valor recebido por entidades iranianas na blockchain. As movimentações somaram mais de US$ 3 bilhões e foram usadas para apoiar redes de milícias regionais, viabilizar vendas de petróleo e adquirir equipamentos classificados como de “dupla utilização”.
O relatório também mostra que a atividade ilícita com criptomoedas teve expansão global. Em 2025, endereços associados a atividades ilegais receberam pelo menos US$ 154 bilhões em ativos digitais, um aumento de 162% em relação ao ano anterior.
Dentro desse total, países submetidos a sanções internacionais foram responsáveis por cerca de US$ 104 bilhões em fluxos financeiros envolvendo criptomoedas. De acordo com a análise, esses governos passaram a utilizar ativos digitais como alternativa para contornar restrições impostas ao sistema bancário tradicional.
A tensão geopolítica recente também provocou reações no mercado. Após ataques aéreos conjuntos realizados pelos Estados Unidos e Israel contra alvos iranianos no último fim de semana, dados da blockchain registraram cerca de US$ 10,3 milhões saindo de exchanges iranianas. Em alguns momentos, as retiradas chegaram perto de US$ 2 milhões por hora.
O relatório também destaca outros centros relevantes de atividades ilícitas envolvendo criptomoedas. Na Rússia, por exemplo, a stablecoin A7A5 lastreada em rublos movimentou cerca de US$ 93,3 bilhões em menos de um ano. Exchanges sancionadas, como Grinex e Meer, processaram respectivamente US$ 305 milhões e US$ 4,76 bilhões em transações ao longo de 2025.
Na Venezuela, o fluxo total de criptomoedas atingiu US$ 44,6 bilhões no mesmo período. O estudo aponta que cidadãos do país recorreram amplamente às criptos como forma de preservar valor diante da hiperinflação e da instabilidade econômica.
Já a Coreia do Norte manteve destaque em crimes cibernéticos ligados ao setor. Hackers associados ao regime teriam roubado mais de US$ 2 bilhões em criptomoedas ao longo de 2025, o maior volume já registrado em um único ano.













