- Aave V4 mira liquidez unificada e adoção institucional
- Horizon foca crédito com RWA e títulos tokenizados
- Governança da Aave DAO debate taxas e receitas
O fundador da Aave, Stani Kulechov, apresentou um roteiro estratégico de longo prazo que projeta a expansão do protocolo para uma escala trilionária em ativos on-chain. O plano foi divulgado enquanto a Aave DAO atravessa discussões intensas sobre governança, alinhamento econômico e direitos sobre fluxos de receita, em um momento decisivo para o maior protocolo de empréstimos DeFi.
— Stani.eth (@StaniKulechov) December 16, 2025
Kulechov, que também atua como CEO da Avara, empresa controladora da Aave Labs, descreveu a visão como a consolidação da Aave na “camada de crédito fundamental” da economia baseada em blockchain. A estratégia se apoia em três pilares: Aave V4, Horizon e o aplicativo Aave, com foco declarado em adoção institucional, liquidez integrada e entrada de milhões de novos usuários.
Segundo dados compartilhados pelo fundador, a Aave já processou US$ 3,33 trilhões em depósitos, originou quase US$ 1 trilhão em empréstimos e gerou US$ 885 milhões em taxas no ano, mantendo cerca de 59% do mercado de empréstimos DeFi. “Aave vai vencer”, afirmou Kulechov, acrescentando que o protocolo “ainda está no início, comparado ao que está por vir”.
No centro do plano está o Aave V4, uma reformulação que propõe um modelo de liquidez em formato hub-and-spoke. A arquitetura busca reduzir a fragmentação entre redes, concentrando liquidez em hubs principais, enquanto permite mercados especializados para diferentes tipos de ativos. A proposta inclui novas ferramentas para desenvolvedores, com o objetivo de acelerar integrações e suportar volumes institucionais.
O segundo pilar, o Horizon, foi lançado como um ambiente em conformidade regulatória para operações com ativos do mundo real tokenizados, como títulos do Tesouro. A plataforma já alcançou US$ 550 milhões em depósitos líquidos e tem como meta chegar a US$ 1 bilhão até 2026, apoiada por parcerias com empresas do setor financeiro tradicional.
Já o aplicativo Aave foi concebido como porta de entrada para usuários de varejo no DeFi. A solução integra o Push, ferramenta de conversão de moeda fiduciária para stablecoins sem taxas, com cobertura de mais de 70% dos mercados de capitais globais. O lançamento completo está previsto para o início de 2026, com a meta de atrair o primeiro milhão de usuários.
O anúncio ocorre em meio a tensões na Aave DAO, após questionamentos sobre mudanças na interface e redirecionamento de taxas. Em resposta, Kulechov declarou: “Tenho acompanhado muitas das discussões no fórum da DAO. Deixe-me ser bem claro: ninguém se importa mais com a Aave do que eu”. Ele acrescentou que
“o debate aberto é uma característica da governança DeFi e não um sintoma de desalinhamento”.
O momento também foi marcado pelo encerramento, sem sanções, de uma investigação de quatro anos da SEC sobre a Aave. Para Kulechov, o desfecho reforça a maturidade do setor e valida a trajetória do DeFi em escala global.













