- Ex-desenvolvedor questiona influência de Vitalik na Fundação Ethereum
- Polygon e Andre Cronje reagem e ampliam o debate cripto
- Fundação Ethereum passa por reestruturação e corta desenvolvedores
Péter Szilágyi, ex-líder do cliente Geth na Fundação Ethereum, tornou público o conteúdo de uma carta enviada à liderança no ano passado, reacendendo um debate sensível sobre governança. No documento, ele sustenta que decisões-chave do ecossistema dependeriam de um pequeno círculo de cinco a dez pessoas, apoiado por poucas empresas de capital de risco.
Segundo Szilágyi, a capacidade de novos projetos prosperarem estaria profundamente ligada a relações com essa rede interna, o que distorceria incentivos e filtros técnicos. “A direção do Ethereum sempre se resumiu ao seu relacionamento com Vitalik”, escreveu, ao apontar a influência de Vitalik Buterin como fator determinante de aprovação e acesso a financiamento.
O engenheiro também mencionou disparidades salariais e assimetria de recompensas, afirmando ter recebido aproximadamente US$ 625 mil ao longo de seis anos, enquanto o valor de mercado do Ethereum saltou para centenas de bilhões. Para ele, o arranjo atual deixaria a Fundação Ethereum exposta à captura de interesses alinhados e a um processo decisório pouco transparente.
A carta repercutiu de imediato entre líderes de projetos. Sandeep Nailwal, CEO da Polygon Foundation, publicou que “começou a questionar” sua lealdade ao Ethereum e afirmou: “Eu/nós nunca obtivemos apoio direto da EF ou da comunidade Ethereum CT — na verdade, o contrário. Mas sempre senti lealdade moral ao Ethereum, mesmo que isso me custe bilhões de dólares na avaliação do Polygon, talvez.”
Andre Cronje, cofundador da Sonic Labs, destacou publicamente dificuldades para obter respostas da liderança da fundação, criticando a comunicação e a previsibilidade de processos. Os relatos adicionaram camadas ao debate sobre a governança de redes baseadas em código aberto e seus mecanismos de financiamento.
Buterin não comentou diretamente as acusações, mas publicou uma mensagem elogiando a Polygon e o trabalho de Sandeep, citando o investimento inicial da equipe em Máquinas Virtuais Ethereum de conhecimento zero. Ele mencionou o time de Jordi Baylina e iniciativas de infraestrutura como o AggLayer como contribuições relevantes para a escalabilidade.
O episódio ocorre após uma ampla reestruturação na Fundação Ethereum nos últimos meses. Em junho, a organização confirmou demissões de desenvolvedores e detalhou uma nova estratégia para gerir e alocar reservas de ETH, sinalizando realocação de prioridades e uma tentativa de fortalecer critérios de financiamento e governança interna.












