- Democratas questionam licença bancária para empresa de criptomoedas
- World Liberty busca autorização para emitir stablecoins
- Pressão política envolve Trump e regulação do OCC
Parlamentares democratas da Câmara dos Representantes intensificaram a pressão sobre o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, ao solicitar explicações formais sobre a análise do pedido de licença bancária da World Liberty Financial, empresa de criptomoedas associada ao atual presidente dos EUA, Donald Trump.
A carta, enviada por um grupo liderado pelo deputado Gregory Meeks, questiona o processo conduzido pelo Office of the Comptroller of the Currency (OCC). Os legisladores querem garantias de que a avaliação regulatória esteja protegida contra influências políticas ou interesses estrangeiros.
A World Liberty Financial busca uma licença fiduciária bancária nacional, que permitiria ampliar suas operações em todo o território americano. Com a autorização, a empresa poderia emitir stablecoins, oferecer custódia de criptomoedas e expandir serviços financeiros sob supervisão federal.
Os democratas destacaram preocupações relacionadas aos vínculos da empresa com o presidente e a possíveis investimentos internacionais. Relatos sobre participação estrangeira foram citados como motivo para um escrutínio mais rigoroso, especialmente em temas ligados à segurança nacional.
O pedido também solicita que o Tesouro esclareça se houve qualquer envolvimento da Casa Branca ou do próprio departamento na análise conduzida pelo OCC. Segundo os parlamentares, é necessário detalhar como potenciais conflitos de interesse estão sendo identificados e mitigados.
Normalmente, o processo de concessão de licenças é conduzido de forma independente pelo OCC, que opera de maneira autônoma dentro da estrutura do Tesouro. Caso aprovada, a licença colocaria a empresa sob supervisão federal direta e ampliaria sua capacidade de atuar no mercado de ativos digitais além das limitações estaduais.
A iniciativa marca uma mudança de tom em relação a questionamentos anteriores feitos em audiências públicas. Agora, o Tesouro enfrenta uma solicitação formal por escrito, o que exige resposta oficial e documentação detalhada.
A pressão ocorre após discussões recentes no Capitólio sobre possíveis conflitos envolvendo iniciativas de criptomoedas associadas a Trump. Em depoimentos anteriores, Bessent afirmou que o Tesouro não tem autoridade para “resgatar o bitcoin” e ressaltou os limites regulatórios do departamento.
O caso também se soma a outras ações democratas relacionadas a um investimento estrangeiro significativo na empresa. Parlamentares já pediram análises de segurança nacional sobre uma participação de 49% ligada aos Emirados Árabes Unidos, além de investigações separadas sobre um aporte de US$ 500 milhões.
A nova solicitação mantém o foco sobre a independência das decisões regulatórias e amplia o debate político em torno da expansão de serviços de criptomoedas dentro do sistema financeiro tradicional.














