- CPI núcleo registra menor ritmo anual desde 2021
- Mercado projeta manutenção dos juros pelo Federal Reserve
- Energia e veículos usados aliviam pressão inflacionária
A inflação dos Estados Unidos perdeu força em dezembro, com os dados mais recentes do CPI indicando desaceleração dos preços ao consumidor. O relatório mostrou que a inflação subjacente avançou no ritmo anual mais lento desde março de 2021, reforçando a leitura de que o Federal Reserve pode manter os juros estáveis no início de 2025.
Segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho, o CPI núcleo — que exclui alimentos e energia — subiu 0,2% na comparação mensal e 2,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado repetiu o número observado em novembro e confirmou a trajetória de moderação da inflação ao longo dos últimos meses.
Na leitura cheia do CPI, os preços avançaram 0,3% no mês e 2,7% no acumulado de 12 meses. Os números vieram em linha com as estimativas de economistas consultados pela Bloomberg, que já projetavam estabilidade tanto para a inflação geral quanto para a medida subjacente em dezembro.
Apesar de a inflação seguir acima da meta de 2% do Federal Reserve, o indicador passou a ser tratado como um risco menos imediato do que um enfraquecimento mais intenso do mercado de trabalho. Esse entendimento ganhou força após o relatório de empregos de dezembro apontar recuo da taxa de desemprego em relação ao pico registrado nos últimos quatro anos.
Nesse contexto, o mercado reforçou as apostas de que o Fed manterá os juros inalterados na reunião marcada para os dias 27 e 28 de janeiro. Dados do CME Group mostraram que, após a divulgação do CPI de dezembro, os contratos futuros precificavam cerca de 95% de probabilidade de manutenção das taxas.
Mesmo com o alívio na inflação geral, alguns componentes continuaram pressionando os gastos das famílias. O índice de alimentos subiu 0,7% no mês, acima da média do CPI. Cinco dos seis principais grupos de alimentos vendidos em supermercados registraram alta, com exceção das carnes, que apresentaram queda de 0,2%.
Por outro lado, a redução nos preços de carros e caminhões usados ajudou a conter o avanço do CPI. O índice do setor recuou 1,7% em dezembro, enquanto as passagens aéreas caíram 0,5%. Os serviços de transporte como um todo também registraram retração no período.
Os custos de energia tiveram papel relevante nesse movimento. O preço do gás recuou 5,3% no mês, acompanhando a queda mais ampla do petróleo, levando o índice de energia a registrar baixa de 2% em dezembro.
O que isso significa para o mercado de criptomoedas
A leitura de um CPI mais comportado reforça a expectativa de juros estáveis no curto prazo, o que tende a manter o Bitcoin operando com maior estabilidade. Um ambiente sem novas pressões de aperto monetário reduz a volatilidade associada a decisões de política econômica e favorece movimentos mais graduais nos preços.
Ainda assim, parte do mercado avalia que o cenário ideal seria uma desaceleração mais consistente da inflação. Uma melhora adicional nos indicadores poderia abrir espaço para que o Federal Reserve considerasse cortes de juros já na reunião marcada para os dias 27 e 28 de janeiro, hipótese que seguiria como um fator positivo para ativos de risco, incluindo as criptomoedas.
No momento, o Bitcoin era negociado a US$ 92.006,80, com alta de 1,7% nas últimas 24 horas, refletindo a combinação entre inflação mais controlada e expectativas mais equilibradas em relação à trajetória dos juros nos Estados Unidos.












