- FCA vista como “pesada” na supervisão de criptomoedas
- Consensys aponta perda de espaço para os EUA
- Setor pede regras claras e ritmo regulatório maior
No evento Zebu Live, em Londres, o ambiente regulatório do Reino Unido voltou ao centro das discussões, com executivos e advogados apontando falta de clareza e lentidão nas definições para criptomoedas. Bill Hughes, conselheiro sênior e diretor de assuntos regulatórios globais da Consensys, foi direto ao criticar a abordagem atual.
“Acreditamos que isso custou caro ao Reino Unido, fazendo com que ele perdesse sua posição para os EUA como um centro de criptomoedas”, decidir que tudo em criptomoedas é um instrumento financeiro sujeito a todas as regras aplicáveis realmente prejudica a competitividade do Reino Unido.”
A Consensys opera produtos como a carteira MetaMask, a infraestrutura Infura e a Linea (Ethereum L2). Mesmo com presença local, Hughes afirmou que a empresa não foi formalmente consultada por autoridades sobre desenho de políticas. Para ele, “colocar o setor atrás dos portões de ferro das regulamentações financeiras tradicionais” impede que o país lidere a próxima onda de inovação.
Em painel no evento, representantes de Kraken, Coinbase e da UKUS Crypto Alliance alertaram que o excesso de cautela pode empurrar empresas para outras jurisdições. O chefe de inovação da FCA, Colin Payne, defendeu o foco do órgão em proteção ao consumidor e confiança de longo prazo, afirmando que o regulador “não se desculpará por ser cauteloso” após colapsos anteriores do mercado.
“A diferença mais gritante é entre o Reino Unido e os EUA”,
disse Hughes.
“Enquanto nos EUA há um desejo real de dar à tecnologia blockchain espaço para respirar e avançar, o tom no Reino Unido é muito diferente, focando em riscos e incertezas. Acreditamos que políticas pró-inovação provarão ser o caminho mais sensato quando tudo estiver dito e feito.”
O governo britânico trabalha em um pacote regulatório abrangente, com implementação prevista para 2026, cobrindo stablecoins, plataformas de negociação, empréstimos, staking e custódia. A suspensão recente da proibição de ETNs cripto para varejo abriu espaço para listagens em Londres, embora a vedação mais ampla a derivativos para investidores de varejo permaneça ativa.
No Parlamento, cresce o apelo por celeridade. “Criptomoedas e ativos digitais são detidos por um número crescente de cidadãos do Reino Unido — mais de 8 milhões de pessoas em números recentes. O Reino Unido tem o potencial de ser líder mundial neste campo, apoiando nossa missão de crescimento”, afirmou Gurinder Singh Josan, pedindo ação rápida do governo.












