- Juros em stablecoins afetam competitividade do dólar digital
- Yuan digital com rendimentos pressiona mercado global de criptomoedas
- Lei GENIUS gera disputa entre criptos e bancos tradicionais
Um alerta vindo da liderança da Coinbase reacendeu o debate regulatório sobre stablecoins nos Estados Unidos, ao apontar que restrições excessivas podem beneficiar concorrentes globais, especialmente a China. A discussão ocorre enquanto o país asiático se prepara para permitir o pagamento de juros sobre o yuan digital, sua moeda digital de banco central, o e-CNY.
Em publicação recente, Faryar Shirzad, diretora de políticas da Coinbase, destacou que a proibição de rendimentos sobre stablecoins em dólar americano, prevista na Lei GENIUS, pode comprometer a posição estratégica dos EUA no futuro dos pagamentos digitais. Para a executiva, o movimento chinês evidencia que a disputa pela liderança na tokenização do dinheiro entrou em uma fase mais sensível.
“Para aqueles que não entendem o que está em jogo”,
escreveu Shirzad, ao citar a decisão da China como um sinal claro da evolução do ambiente competitivo no setor de moedas digitais. Segundo ela, a possibilidade de remuneração tende a tornar alternativas estrangeiras mais atraentes para usuários e empresas.
“A tokenização é o futuro e o GENIUS Act foi uma medida visionária do presidente e do Congresso para garantir que as stablecoins em dólar americano emitidas sob as regras dos EUA sejam o principal instrumento de liquidação do futuro”,
disse Shirzad. Ainda assim, a executiva alertou que uma interpretação rígida da lei pode gerar efeitos contrários aos pretendidos.
For those who misunderstand what’s at stake in the debate on offering rewards on US-issued stablecoins under the GENIUS Act, a sobering and timely announcement from the People’s Bank of China that they plan to pay interest on the Digital Yuan. 🇨🇳🇨🇳
Tokenization is the future and… pic.twitter.com/stg8ffKzT7
— Faryar Shirzad 🛡️ (@faryarshirzad) December 30, 2025
De acordo com Shirzad, se o Congresso não conduzir com cuidado as negociações sobre recompensas em stablecoins, concorrentes internacionais podem obter “uma grande vantagem”, fortalecendo tanto stablecoins não americanas quanto CBDCs estrangeiras. “Os lobistas dos governos já estabelecidos sempre lutarão contra a mudança”, acrescentou. “É fundamental que os negociadores protejam a primazia do dólar americano e do sistema financeiro dos EUA, e não apenas os interesses dos governos já estabelecidos.”
Do lado chinês, o Banco Popular da China anunciou que, a partir de 1º de janeiro de 2026, bancos comerciais poderão pagar juros sobre as reservas de e-CNY mantidas por clientes. Segundo Lu Lei, vice-governador da instituição, o yuan digital passará a operar como uma “moeda digital de depósito”, buscando ampliar sua adoção após anos de testes limitados.
Enquanto isso, nos EUA, o setor de criptomoedas defende maior flexibilidade na aplicação da Lei GENIUS, argumentando que incentivos são essenciais para competir globalmente. Em contrapartida, associações bancárias pressionam por uma aplicação rigorosa da proibição, alegando riscos ao sistema bancário tradicional. O impasse mantém o tema no centro das discussões sobre o futuro das stablecoins e do dólar digital.












