- China constrói dezenas de usinas nucleares para sustentar IA
- Demanda energética dos data centers deve dobrar até 2035
- EUA apostam em SMRs e renováveis para competir com a China
O debate sobre a corrida global pela inteligência artificial (IA) ganhou novo contorno com a análise de Adam Livingston, autor de The Bitcoin Age. Ele afirma que os Estados Unidos já perderam terreno para a China, não por falhas no desenvolvimento de software, mas pela incapacidade de acompanhar o avanço chinês em energia nuclear — recurso vital para sustentar a expansão da IA.
The U.S. has LOST the AI race to China.
It’s over, the body’s cold, and Washington is still filling out the paperwork.
Everyone’s obsessed with “AI innovation” like it’s a coding contest in Silicon Valley, when in reality it’s an ENERGY WAR.
The side that controls the…
— Adam Livingston (@AdamBLiv) September 27, 2025
Dados recentes apontam que a China está construindo cerca de 30 reatores nucleares, quase metade de todas as novas obras em andamento no mundo. O objetivo é atingir 65 gigawatts de capacidade até o fim deste ano e 200 gigawatts até 2040. Nos EUA, por outro lado, a inauguração dos reatores Vogtle 3 e 4 marcou o fim de um ciclo longo e custoso, sem novos projetos de grande porte em construção.
Há, contudo, sinais de reação. A Westinghouse anunciou planos para erguer dez reatores até 2030, embora os desafios regulatórios e o ceticismo público ainda dificultem a execução. Paralelamente, empresas americanas apostam em Pequenos Reatores Modulares (SMRs) e em energias renováveis para complementar a matriz energética e sustentar a infraestrutura de IA.
A pressão é clara: treinar modelos de última geração como o GPT-4 exige dezenas de megawatts, enquanto a demanda de energia dos data centers nos EUA deve mais que dobrar até 2035, alcançando 78 gigawatts. Globalmente, o consumo desse setor chegou a 415 terawatts-hora em 2024, com previsão de duplicar até 2030, impulsionado pela IA.
Livingston questiona se a energia não seria o verdadeiro gargalo dessa disputa tecnológica. “O funeral já aconteceu”, escreveu, sugerindo que a supremacia chinesa estaria consolidada. No entanto, analistas ressaltam que os EUA ainda mantêm forte vantagem em pesquisa, design de chips, nuvem e capital de risco, além de liderarem em inovação voltada para eficiência energética e redes inteligentes.
A abordagem chinesa, centralizada e agressiva, contrasta com o modelo americano baseado no mercado. Ainda assim, o futuro da corrida da IA dependerá não apenas da capacidade de construir usinas nucleares, mas também de avanços em eficiência, novas tecnologias e políticas industriais capazes de sustentar o crescimento acelerado dessa indústria.












