- China afirma que EUA roubaram 127 mil Bitcoins
- Departamento de Justiça dos EUA nega e fala em confisco legal
- Tensões geopolíticas afetam o mercado de criptomoedas
A disputa entre China e Estados Unidos ganhou um novo capítulo após Pequim acusar Washington de orquestrar um ataque hacker em 2020 que resultou no roubo de 127.000 Bitcoins, avaliados atualmente em cerca de US$ 13 bilhões. Segundo o governo chinês, o suposto ataque teria sido uma operação cibernética patrocinada pelo Estado americano, mascarada como uma apreensão legal de bens digitais.
O Centro Nacional de Resposta a Emergências contra Vírus de Computador da China (CVERC) divulgou um relatório no domingo detalhando as alegações. O documento aponta que o ataque ao pool de mineração LuBian, ocorrido em dezembro de 2020, utilizou ferramentas de “hacking de nível estatal” e que os EUA, posteriormente, confiscaram os ativos sob “falsos pretextos legais”.
Na época, os invasores drenaram mais de 127.000 BTC da carteira digital da LuBian. As moedas permaneceram paradas até meados de 2024, quando foram transferidas para novos endereços. Poucos meses depois, em outubro de 2025, o Departamento de Justiça dos EUA anunciou oficialmente a apreensão dos Bitcoins, alegando que o montante estava vinculado a Chen Zhi, presidente do Prince Group do Camboja, acusado de comandar um esquema internacional de fraudes com criptomoedas.
A China, porém, contesta essa versão. De acordo com o CVERC, o padrão das movimentações e o tempo das transferências indicam “envolvimento direto das autoridades americanas desde o início”. Pequim afirma que as operações “atrasadas e discretas” se assemelham mais a ações estatais do que a comportamentos típicos de criminosos cibernéticos.
Os EUA mantêm a narrativa de que a apreensão seguiu os trâmites legais dentro de uma investigação de lavagem de dinheiro. O Departamento de Justiça classificou o confisco como uma ação legítima, parte do processo judicial contra Chen Zhi e seus associados.
O relatório chinês, por outro lado, descreve o episódio como um “confronto interno entre ladrões”, alegando que apenas parte dos Bitcoins apreendidos teria origem ilícita. O documento aponta ainda que cerca de 17.800 BTC foram minerados de forma independente, enquanto 2.300 BTC vieram de pagamentos regulares de pools de mineração.
Com o Bitcoin sendo negociado acima de US$ 100 mil em 2025, o caso adiciona uma nova camada de tensão diplomática entre as duas maiores economias do mundo e levanta dúvidas sobre a neutralidade das criptomoedas em meio a disputas geopolíticas.












