- Rendimento de stablecoins divide Casa Branca e bancos
- Projeto de lei das criptomoedas dos EUA
- SEC e CFTC disputam regras do mercado cripto
A Casa Branca realizou na quinta-feira sua terceira reunião a portas fechadas com representantes do setor de criptomoedas e das principais entidades bancárias dos Estados Unidos. O encontro ocorreu enquanto seguem as negociações sobre as regras de rendimento envolvendo stablecoins, tema que integra um projeto mais amplo de regulamentação do mercado de criptomoedas dos EUA.
A sessão começou às 9h, no horário americano, e se estendeu por várias horas. O principal ponto em debate foi a possibilidade de plataformas oferecerem recompensas atreladas aos saldos de stablecoins mantidos por clientes.
Segundo participantes ouvidos após a reunião, a conversa foi considerada construtiva, embora não tenha resultado em um consenso formal. Ainda assim, o diálogo avançou em aspectos técnicos sobre como esses mecanismos de rendimento poderiam ser enquadrados na legislação federal.
Estiveram presentes representantes da Ripple, da Blockchain Association, do Crypto Council for Innovation e executivos da Coinbase, além de líderes de associações que representam bancos tradicionais.
Os bancos argumentaram que permitir rendimento em stablecoins pode deslocar depósitos do sistema financeiro convencional, especialmente de instituições comunitárias. Para o setor bancário, esse movimento pode impactar a base de captação e alterar a dinâmica competitiva entre bancos e empresas de tecnologia financeira.
Já as empresas de criptos sustentam que restrições severas às recompensas limitariam a inovação e enfraqueceriam a competitividade dos Estados Unidos no segmento financeiro digital. Na avaliação do setor, modelos de incentivo podem ampliar a adoção de stablecoins e estimular novos serviços baseados em ativos digitais.
O debate ganhou força após a aprovação da lei conhecida como GENIUS, que proíbe emissores de stablecoins de pagarem juros diretamente aos detentores. O texto, no entanto, não veda explicitamente que plataformas terceiras ofereçam algum tipo de recompensa vinculada ao uso desses ativos.
Uma proposta em discussão no Comitê Bancário do Senado prevê que bolsas possam oferecer rendimentos sob condições específicas, como em operações ativas de negociação ou utilização de ativos, mas sem permitir pagamento por saldos ociosos.
Paralelamente, legisladores analisam a divisão de competências entre a SEC e a CFTC dentro do novo marco regulatório. Para observadores do mercado, o tratamento do rendimento das stablecoins permanece como um dos principais pontos pendentes para a consolidação da estrutura regulatória das criptomoedas nos EUA.














