- Investigação sobre criptomoedas e segurança nacional dos EUA
- Acordo milionário envolve Emirados Árabes Unidos e stablecoin
- Laços financeiros levantam alerta sobre China e exportações
Um parlamentar democrata de destaque deu início a uma investigação envolvendo a World Liberty Financial (WLFI), empresa do setor de criptomoedas associada ao atual presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O foco é um suposto aporte de US$ 500 milhões feito por uma entidade ligada à família real dos Emirados Árabes Unidos.
Rep. Ro Khanna, ranking member of the House Select Committee on the CCP, has launched a formal probe into the $500M UAE investment in World Liberty Financial.
Khanna is demanding records on whether the deal (signed just four days before Trump’s inauguration) influenced U.S.… pic.twitter.com/HNztJrjRbO
— Conor Kenny (@conorfkenny) February 5, 2026
O deputado Ro Khanna, integrante do Comitê Seleto da Câmara sobre a Competição Estratégica entre os Estados Unidos e o Partido Comunista Chinês, enviou uma carta formal solicitando informações detalhadas e documentos ao cofundador da WLFI, Zach Witkoff. O pedido inclui registros financeiros, estrutura societária e comunicações relacionadas ao negócio.
A iniciativa menciona uma reportagem anterior que descreve a aquisição de 49% da World Liberty Financial pela Aryam Investment 1. Essa entidade é controlada pelo Sheikh Tahnoon bin Zayed Al Nahyan, conselheiro de segurança nacional dos Emirados e irmão do presidente do país.
De acordo com o conteúdo citado, o acordo teria sido fechado poucos dias antes da posse presidencial e incluiu um pagamento inicial de US$ 250 milhões. Parte significativa desse valor teria sido direcionada a entidades ligadas à família Trump, além de valores destinados a empresas associadas a Steve Witkoff, que atua como enviado especial do presidente para o Oriente Médio.
A carta de Khanna levanta preocupações de que o investimento estrangeiro possa ter coincidido com mudanças na política de exportação dos EUA envolvendo semicondutores avançados de inteligência artificial. Essas restrições haviam sido desenhadas para evitar que tecnologia sensível chegasse à China.
O parlamentar também relaciona o xeique Tahnoon a organizações como G42 e MGX, apontadas como possuidoras de vínculos com companhias chinesas. Após o investimento, autoridades americanas autorizaram licenças de exportação de chips avançados para a G42 e apoiaram um grande projeto de data center de IA nos Emirados.
Outro ponto citado envolve um investimento de US$ 2 bilhões da MGX na Binance, exchange de criptomoedas fundada na China. A transação teria utilizado uma stablecoin de US$ 1 emitida pela World Liberty Financial, em um período que coincidiu com a visita do xeique a Washington.
“Em conjunto, esses acordos não são apenas um escândalo, mas podem até representar uma violação de várias leis e da Constituição dos Estados Unidos”,
dizia a carta.
O documento também menciona possíveis implicações relacionadas à cláusula de emolumentos da Constituição americana. Essa regra limita o recebimento de benefícios financeiros de governos estrangeiros por autoridades federais sem aprovação do Congresso.
Khanna solicitou respostas a 16 perguntas específicas e uma série de documentos, incluindo contratos, tabelas de capitalização e políticas internas sobre conflitos de interesse.
“Em sua totalidade, essas transações, investimentos e indultos não apenas aparentam ser improprios, mas ilegais”,
dizia a carta.
“Em uma questão com implicações tão significativas para nossa competição com o Partido Comunista Chinês, o povo americano merece total transparência.”














