- Proposta cria hedge on-chain para taxas do Ethereum
- Setor debate viabilidade do mercado futuro de gás
- Ceticismo sobre ausência de lado vendedor natural
Vitalik Buterin reacendeu discussões no ecossistema ao sugerir a criação de um mercado futuro de gás totalmente on-chain e sem intermediários, com o objetivo de oferecer uma forma de proteção antecipada contra oscilações das taxas de transação do Ethereum. A proposta busca facilitar o planejamento financeiro de usuários e desenvolvedores que lidam diariamente com custos variáveis para executar ações na rede.
Em uma publicação recente, Buterin comentou que muitos participantes perguntam se os níveis de taxas vistos atualmente podem se manter estáveis nos próximos anos, mesmo com os avanços previstos no roteiro de escalabilidade. Ele reforçou que o gás funciona como o custo de processamento de qualquer ação no Ethereum e que períodos de maior demanda historicamente elevaram esse valor de maneira significativa.
Nos últimos anos, transações relacionadas a NFTs, protocolos DeFi e lançamentos de novos tokens pressionaram a rede e ampliaram os custos. Embora atualizações recentes tenham reduzido parte dessa volatilidade, Buterin avalia que um mercado futuro poderia funcionar como “um mercado de previsão da tarifa básica”, dando aos usuários “um sinal claro das expectativas das pessoas em relação às tarifas futuras de gás”.
O cofundador destacou ainda que “as pessoas receberiam um sinal claro das expectativas em relação aos preços futuros da gasolina e poderiam até se proteger contra essas oscilações”, explicando que seria semelhante a pagar antecipadamente por uma quantidade específica de gás em um intervalo determinado.
A proposta, porém, encontrou resistência. Hasu, estrategista da Flashbots, foi direto ao afirmar que “o problema é que este mercado não tem uma posição vendida natural”. Para ele, muitos desejam se proteger comprando gás antecipado, mas não há agentes com incentivo suficiente para vender, o que limitaria a profundidade do mercado.
Buterin respondeu questionando se “o protocolo deveria ser o lado vendedor”, sugerindo um leilão on-chain para direitos de taxa base. Hasu argumentou que isso não resolveria o ponto central, afirmando que quem comprasse a taxa base “paga, sem dúvida, 99% desse valor ao protocolo”, criando um desincentivo para venda a descoberto.
Martin Koppelmann, cofundador da Gnosis, também expressou dúvidas, apontando que o mecanismo de queima de tokens complica a estrutura. Segundo ele, “sem a taxa de queima, todo validador seria um vendedor natural desse tipo de hedge”.
As discussões ocorrem em meio a avanços recentes do Ethereum, incluindo a atualização Fusaka, que redefiniu o cronograma de hard forks e ampliou o limite de gás para 60 milhões por bloco, além da apresentação do Kohaku, estrutura voltada à privacidade e confidencialidade na rede.












