O Bitcoin hoje é negociado na faixa de US$ 66.300, após ter recuado no domingo (22) para perto de US$ 64 mil. O movimento reacendeu o debate sobre se o mercado está apenas passando por uma correção pontual ou se um ciclo mais amplo de reversão pode estar em curso — cenário destacado por um dos estrategistas mais conhecidos da Bloomberg.
O analista sênior de commodities da Bloomberg, Mike McGlone, publicou uma análise defendendo que 2026 pode marcar a transição de um período de “sorte” para um processo de ajuste mais profundo nos mercados globais.
Segundo ele, “Sorte vs. Reversão em 2026 — o Bitcoin pode estar caminhando para a segunda opção”. Na avaliação do estrategista, a “sorte” envolveria manter a relação entre a capitalização do mercado de ações dos EUA e o PIB próxima de uma máxima de 100 anos, ao mesmo tempo em que a volatilidade de 180 dias do Nasdaq permanece perto de uma mínima de oito anos — além do Bitcoin sustentado acima de US$ 74.000.
O alerta fica mais incisivo quando ele aponta que “permanecer abaixo de US$ 64.000 pode desencadear uma reversão”. O nível testado no fim de semana, portanto, ganha relevância técnica e psicológica.
Lucky vs. Reversion 2026 – Bitcoin May Be Guiding Toward the Latter
– “Lucky” might mean maintaining US stock market cap-to-GDP at about a 100-year high and Nasdaq 180-day volatility near an eight-year low
– And Bitcoin above $74,000
– Staying below $64,000 could trigger… pic.twitter.com/xvhrHJ39qK
— Mike McGlone (@mikemcglone11) February 22, 2026
Neste artigo, vamos discutir:
Correlação entre Bitcoin e Nasdaq preocupa
Em outra publicação, McGlone destacou: “Tudo o que importa é se as ações seguirem o Bitcoin”. Ele argumenta que, para metais sensíveis ao ciclo econômico, como cobre e prata, sustentarem patamares elevados, a média móvel de 50 dias do Nasdaq-100 precisaria evitar acompanhar a trajetória descendente do Bitcoin.
O analista observa ainda que seu gráfico evidencia uma forte correlação entre a tendência do índice de ações e a atual queda das criptomoedas. Ao comparar com 2017 — último período em que a volatilidade de 180 dias do Nasdaq ficou abaixo de 15% — ele ressalta diferenças estruturais: naquela época, a relação entre capitalização de mercado e PIB era de cerca de 1,5x, contra aproximadamente 2,3x agora, enquanto o Bitcoin se aproximava de US$ 10.000.
Sentimento: cautela com viés de reversão
O tom de McGlone é claramente cauteloso. Ele sugere que o pico do Bitcoin e a valorização do ouro em 2025 podem ter sido beneficiados por condições excepcionais, e não necessariamente sustentáveis. Ao mencionar que já houve um colapso em 2009 e que agora o número de participantes é muito maior, o estrategista indica que os riscos sistêmicos estão ampliados.
Com o Bitcoin orbitando acima de US$ 66 mil, mas ainda vulnerável ao suporte dos US$ 64 mil, o mercado entra em uma zona decisiva. Para investidores, o momento exige atenção redobrada não apenas às criptomoedas, mas também à dinâmica entre ações, commodities e títulos — uma vez que, na visão do analista, o que acontecer com o Nasdaq pode definir os próximos capítulos do ciclo atual.














