- Stablecoins em dólar desafiam soberania monetária europeia
- Euro digital pode enfrentar hegemonia das stablecoins
- Uso de stablecoins pode afetar controle do BCE
A crescente presença de stablecoins lastreadas em dólar na União Europeia levanta preocupações no Banco Central Europeu (BCE) sobre o possível enfraquecimento da política monetária do bloco. Em uma publicação recente, Jürgen Schaaf, consultor do BCE, alertou que o uso amplo dessas moedas digitais em pagamentos e liquidações pode reduzir significativamente a capacidade da instituição de controlar a oferta de dinheiro e influenciar taxas de juros.
Schaaf comparou o avanço das stablecoins em dólar na UE ao fenômeno de dolarização observado em economias emergentes, onde a presença dominante do dólar compromete a autonomia dos bancos centrais locais. “Essa invasão, embora gradual, pode ecoar padrões observados em economias dolarizadas, especialmente se os usuários buscarem segurança percebida ou vantagens de rendimento que não estão disponíveis em instrumentos denominados em euros”, afirmou.
As stablecoins USDT (Tether) e USDC (Circle) seguem liderando o mercado global, respondendo por mais de 80% do volume total, que atingiu US$ 271,8 bilhões após a promulgação de uma nova legislação nos EUA, em 19 de julho. O banco de investimento Standard Chartered projetou que o setor pode chegar a US$ 2 trilhões até o final de 2028.
Segundo Schaaf, a nova lei americana se assemelha ao regulamento MiCA europeu, embora seja menos rigorosa em determinados aspectos. Isso, na visão dele, pode consolidar o domínio das stablecoins atreladas ao dólar, conferindo aos Estados Unidos vantagens econômicas e geopolíticas relevantes, como o financiamento de sua dívida em condições mais favoráveis.
O avanço das stablecoins também ameaça o uso do euro em transações internacionais e em liquidações tokenizadas, áreas estratégicas para a economia digital da UE. Diante desse cenário, Schaaf defendeu maior suporte a stablecoins lastreadas em euros e destacou a importância do desenvolvimento do euro digital, que, segundo ele, “promete ser uma linha de defesa robusta da soberania monetária europeia”.












