- Stablecoins ganham força com desvalorização do peso argentino
- Arbitragem cripto oferece até 4% de lucro por operação
- Uso de criptomoedas cresce antes das eleições legislativas
Com a aproximação das eleições legislativas de 26 de outubro e a contínua queda do peso argentino, o uso de stablecoins e estratégias de arbitragem em criptomoedas disparou no país. Desde o início de outubro, o peso perdeu mais de 4% em relação ao dólar americano, levando muitos argentinos a buscar refúgio em ativos digitais como forma de proteger o poder de compra.
De acordo com a Bloomberg, investidores estão aproveitando a diferença entre o câmbio oficial e o paralelo para lucrar por meio do chamado “rulo”, uma prática que consiste em comprar stablecoins com dólares e revendê-las por pesos a uma taxa cerca de 7% abaixo da cotação oficial. Essa operação pode gerar retornos de até 4% por transação, tornando-se uma alternativa popular em meio às restrições impostas pelo Banco Central da Argentina.
Desde 1º de outubro, o governo proibiu cidadãos de revender dólares por 90 dias, o que impulsionou ainda mais o mercado cripto. A corretora Ripio registrou um aumento de 40% nas transações envolvendo stablecoins na semana seguinte à medida, enquanto a Lemon Cash relatou alta de mais de 50% no volume de negociação.
Julián Colombo, gerente da Bitso na Argentina, explicou que as stablecoins “atuam como um veículo para obter dólares mais baratos”. Ele destacou que, por ainda estar em processo de regulamentação, o governo “não sabe como controlar a liquidez” desses ativos, permitindo que o mercado cresça sem restrições significativas.
Apesar de o presidente Javier Milei ter reduzido a inflação de quase 300% para 30% desde o fim de 2023, as preocupações com a desvalorização do peso e a queda nas reservas permanecem. Ao longo de outubro, o banco central vendeu cerca de US$ 1,3 bilhão em dólares para conter a pressão cambial.
A Argentina mantém uma postura cada vez mais aberta às criptomoedas, com empresas como Binance e Coinbase licenciadas para operar no país. Para muitos argentinos, stablecoins como USDT e USDC se tornaram uma forma de preservar valor. “As stablecoins vieram para ficar”, afirmou López, corretor de ações local, destacando que “o dólar ainda é o verdadeiro refúgio na vida cotidiana dos argentinos”.














