- Aave Labs leva proposta de marca à votação Snapshot
- Comunidade questiona governança e processo da DAO Aave
- Token AAVE reage em meio a tensão institucional
As tensões de governança dentro da Aave DAO ganharam novo fôlego após a Aave Labs encaminhar unilateralmente uma proposta sobre o controle de ativos de marca para votação no Snapshot. A decisão ampliou um debate que já se arrastava há dias e levou membros influentes da comunidade a questionarem o respeito aos processos internos da organização descentralizada.
A movimentação foi defendida por Stani Kulechov, fundador da Aave, que afirmou que a proposta foi levada à votação “após extensa discussão” e que a comunidade estaria “pronta para tomar uma decisão”. A votação está programada para começar em 23 de dezembro, em um momento considerado sensível por parte dos delegados.
The recent DAO alignment proposal has been moved to Snapshot after extensive discussion. We realize the community is very interested in a path forward and is ready to make a decision.
Time for tokenholders to weigh in and vote.https://t.co/QwoPeglhmU
— Stani.eth (@StaniKulechov) December 22, 2025
A proposta, intitulada “Alinhamento do token ARFC $AAVE. Fase 1 – Propriedade”, prevê conceder aos detentores do token AAVE o controle formal de ativos ligados à marca, como domínios, perfis em redes sociais, direitos de nomeação, organizações no GitHub e outros canais atualmente administrados pela Aave Labs e parceiros. O texto também inclui mecanismos de proteção contra uso indevido e estruturas legais controladas pela DAO.
No entanto, o autor original da proposta, Ernesto Boado, ex-diretor de tecnologia da Aave Labs e cofundador da BGD Labs, afirmou que o envio ao Snapshot ocorreu sem seu consentimento. Em publicação nas redes sociais, ele declarou que a Aave Labs “submeteu unilateralmente minha proposta para votação às pressas, com meu nome e sem me notificar”, classificando a ação como “vergonhosa” e afirmando que “quebra todos os códigos de confiança com a comunidade”.
To be very clear:
– This is not, in ethos, my proposal. Aave Labs has (for whatever reason) unilaterally submitted my proposal to vote in a rush, with my name on it, and without notifying me at all. If asked, I would not have approved it.
– It was not my intention to submit the… https://t.co/JTWoMMNcQc— Ernesto (@eboadom) December 22, 2025
A crítica foi reforçada por delegados relevantes, como Marc Zeller, da Aave Chan Initiative, que avaliou o movimento como uma “tentativa de tomada hostil por parte do Labs”. Segundo ele, a votação ocorreu “sem resolver a discussão, sem consenso claro e sem o consentimento” do autor, além de coincidir com um período de festas que reduz a participação institucional.
Em resposta, a Aave Labs afirmou que seguiu rigorosamente as regras de governança vigentes. Um porta-voz da empresa declarou que “a acusação é errônea” e que o avanço da proposta após cinco dias de discussão atende exatamente ao que está previsto no processo formal da DAO. Segundo a empresa, pedidos para estender o debate “não se baseiam em requisitos de governança”.
A Aave Labs também rejeitou a ideia de que incentivar abstenções fortaleça a legitimidade do processo, afirmando que “aumentar as abstenções não ‘corrige’ a governança — simplesmente eleva o limite para aprovação”. A empresa acrescentou que não há exigência de consentimento do autor para avançar uma proposta, já que o fluxo é determinado por prazos documentados.
O episódio ocorre em meio a outros atritos recentes dentro da Aave DAO, incluindo questionamentos sobre receitas, alinhamento institucional e o papel da Aave Labs na gestão do protocolo. Nesse contexto, o token AAVE registrou queda superior a 10% em 24 horas, refletindo a sensibilidade do mercado às disputas internas de governança.













